Saúde

SP: municípios usam carro de som em ‘caça’ a atrasados da 2ª dose

Busca ativa é a principal ferramenta para reduzir o índice de faltas em campanhas de vacinação
FERNANDO V SÁ/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO – 24/08/2021

Com a maior parte do dia dedicada a cuidar de duas crianças, a babá Janice Pereira, de 51 anos, esqueceu de tomar a segunda dose contra a covid-19 e só se deu conta depois que uma agente comunitária ligou para avisar do atraso. Uma equipe de saúde foi até a residência onde ela trabalha, em uma vila do Bom Retiro. “Eles foram nota 10. Já pensou se eu fico sem tomar a minha vacina?”

Diabética e hipertensa, Janice havia recebido a primeira dose em maio e deveria ter retornado ao posto de vacinação em meados deste mês. Perdeu o prazo por poucos dias. “Eu estava com uma data na cabeça e era outra”, justifica. “A segunda dose dá um alívio: olha o quanto de gente que já morreu.”

Leia também
  • Fundação Casa inicia vacinação de adolescentes contra covid em SP

  • Cidade de SP aplica mais de 13,5 milhões de vacinas contra a covid

  • Começa vacinação contra Covid para jovens de 17 anos no DF

A busca ativa realizada pelas prefeituras é a principal ferramenta para reduzir o índice de faltas em campanhas de vacinação. Na maioria dos casos, tentar contato por telefone ou bater na casa das pessoas são as estratégias mais comuns. Com a pandemia, municípios paulistas também têm recorrido a mutirões de repescagem, carros de som e disparos de mensagem por e-mail, WhatsApp, campanhas em redes sociais ou até mesmo telegrama, a 34 municípios paulistas.

Dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam que mais de 4 milhões já completaram o ciclo de imunização em São Paulo. Entretanto o estado registrava um total de 1,2 milhão de faltosos nas 645 cidades até a última sexta-feira (20).

Encontrar, convencer e conseguir vacinar os faltosos se torna prioridade conforme a imunização geral avança. O risco do espalhamento da variante Delta, mais transmissível, também preocupa.

Medo de reação vacinal, desinformação sobre a necessidade do reforço e fatores sociais, como falta de horário por causa do trabalho, são outros motivos citados para que as pessoas deixem de comparecer. E há situações em que as pessoas acabaram infectadas – e, portanto, têm de adiar o reforço – ou estão acamadas.

Veja também
  • SP entra em estado de atenção devido baixa umidade do ar

    São Paulo

    SP entra em estado de atenção devido baixa umidade do ar

  • Deputado vai se filiar ao Podemos; bancada aumenta na Câmara

    R7 Planalto

    Deputado vai se filiar ao Podemos; bancada aumenta na Câmara

  • Moradores são retirados após incêndio em prédio no centro de SP

    São Paulo

    Moradores são retirados após incêndio em prédio no centro de SP

Há 13 anos no SUS (Sistema Único de Saúde), a agente comunitária Fernanda Oliveira, de 36, foi a responsável por localizar Janice e alertá-la do atraso. Por conhecer o território, as famílias e a realidade local, a função do agente é considerada indispensável nesse trabalho.

Segundo afirma, Fernanda tem se deparado cada vez menos com pessoas resistentes à vacinação. “Acontecia mais no começo, hoje é um ou outro. A gente busca orientar. Sempre dou exemplo de pessoas famosas que pegaram covid.”

Para ela e outros profissionais da área, a maior aceitação da vacina nas últimas semanas pode estar relacionada ao avanço de diagnósticos e mortes por coronavírus. No estado, são mais de 144 mil óbitos desde o início da crise sanitária. “Tive o caso de uma idosa de 100 anos que tivemos de ir vacinar na casa dela, porque havia fraturado a bacia”, relata a agente. “O filho não acreditava na doença, evitava máscara e acabou pegando covid. Ele foi intubado e veio a falecer depois.”

Já o técnico de enfermagem Jonas Mendes, de 48 anos, se vale do próprio exemplo no contato com as pessoas. “Tive covid, perdi 9 quilos e fiquei internado por 22 dias. O que digo é: “Amigo, fui lá em cima e felizmente consegui voltar. Sou a prova viva de que a doença é muito séria”, conta. “Usar um caso que aconteceu comigo mesmo facilita que o outro tenha empatia.”

 

Fonte: Saúde R7

Botão Voltar ao topo