Saúde

Saúde do DF investiga varíola do macaco em jovem que não viajou 

Pessoas com varíola do macaco
NHS England High Consequence Infectious Diseases Network – Arquivo

Após a confirmação, no sábado (2), de um caso de contaminação pela varíola do macaco no Distrito Federal, a Secretaria de Saúde investiga outra suspeita: desta vez, um jovem entre 15 e 20 anos, que não viajou, pode estar infectado pelo vírus. A informação é do diretor de Vigilância Epidemiológica, Fabiano dos Anjos Martins.

“[A varíola do macaco] não gera a preocupação de ter uma dimensão que a gente viu com a pandemia de Covid. O DF está preparado para conduzir os casos”, afirmou Martins. “A medida que a [Secretaria de] Saúde tem implementado é de orientação e capacitação da rede para fazer a suspeição e se evite a propagação da doença. Mas apenas a confirmação laboratorial vai dizer se a pessoa é ou não um caso”. Os contaminados são monitorados a cada 48 horas por telefone.

Desde o reconhecimento dos casos suspeitos, a Secretaria de Saúde editou uma nota técnica para orientar os profissionais da rede pública e particular quanto à abordagem da nova doença. Quando pacientes sintomáticos e com relato compatível com a transmissão da varíola do macaco são identificados, eles passam a ser monitorados pela Vigilância Sanitária.

Os contaminados com a infecção e as pessoas com quem tiveram contato ficam isolados por 21 dias. “O mais importante para interromper a cadeia de transmissão é identificar o caso suspeito e isolar. A doença em si é considerada ‘benigna’, não vai trazer maiores gravidades. Alguns grupos específicos como imunocomprometidos e crianças é que devem ter uma atenção maior”, disse Fabiano Martins.

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Por isso, quem tiver sintomas, como bolhas na pele, dor de cabeça, febre acima de 38,5ºC, dores e inchaços pelo corpo deve procurar os postos de saúde ou unidades de pronto atendimento (UPAs). O Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) foi definido como unidade de referência para tratar os casos que precisem de hospitalização.

A transmissão do vírus ocorre principalmente pelo contato direto entre as pessoas — em abraços, beijos e relações sexuais. Também é possível pegar a doença em superfícies contaminadas e fluidos corporais.

Testagem

O DF não tem testes para diagnosticar a doença. As amostras colhidas de moradores da capital são encaminhadas para o laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Por conta da logística e processamento dos dados, o resulta leva cerca de 14 dias para ser liberado.

Martins diz que o Laboratório Central teria condições de analisar as amostras, mas que o Ministério da Saúde precisaria fornecer a estrutura necessária para processar os exames. “Não pode fazer cultura de vírus em laboratório, por exemplo. Esse tipo de análise precisa atender a parâmetros de segurança. Hoje o único laboratório no Brasil com expertise para realizar esse tipo de exame é o da Fiocruz no Rio de Janeiro”. 

Segundo o Ministério da Saúde, há 76 casos de varíola do macaco confirmados no país — em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo. O caso do DF ainda não foi contabilizado. Outros 40 estão sob investigação.

O primeiro caso da doença foi confirmado no país em 9 de junho, em um morador de São Paulo. Em seguida, o governo federal estabeleceu uma “sala de situação” para monitorar os casos em articulação com os estados.

 

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Retaguarda

 

O epidemiologista Jonas Brandt, da Universidade de Brasília (UnB), afirma que a confirmação do primeiro caso no DF “não é de alarme, mas alerta e preocupação. Nesse momento, sabemos formalmente que temos a circulação desse vírus”.

Brandt reforça que o Sistema Único de Saúde (SUS) é robusto e tem condições de responder à emergência de casos. Contudo, ele ressalta que estratégias como rastreamento dos contatos e o treinamento das equipes de saúde são imprescindíveis para evitar que a doença se espalhe.

Mutações

A varíola do macaco já circula de maneira endêmica em 11 países africanos. Em maio, casos da doença na Europa e Estados Unidos foram notificados, o que acendeu o alerta das autoridades sanitárias mundiais.

“Esse vírus deve estar mudando e se tornando mais transmissível, por existe a necessidade de vigilância. Para isso, tem que testar as pessoas com sintomas”, afirma o virologista Bergmann Ribeiro. “Quando se estabelece em um país como o Brasil, pode contaminar roedores, que são a fonte original, e se tornar endêmico, como a dengue ou a chikungunya”, avalia Bergmann Ribeiro. “A probabilidade é que as infecções aumentem.”

O especialista lembra que, até a varíola ser considerada erradicada em 1980 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a população brasileira foi vacinada para a doença. “A vacina tem um nível de eficácia contra a monkeypox”. Contudo, o imunizante deixou de ser produzido no país. “Uma maneira de evitar o espalhamento é vacinar todas a pessoas em volta dos contaminados”, sugere. 

Varíola do macaco e Covid-19
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O vírus da varíola do macaco se comporta de forma diversa do coronavírus: enquanto ele é um vírus de DNA, o transmissor da Covid-19 é de RNA. A quantidade de genes que carregam também é diferente: enquanto a varíola do macaco tem cerca de 100, o coronavírus possui quase 30.

“Ele é mais difícil de sofrer mutações, tem uma enzima que copia o DNA e corrige erros. Com a modificação mais lenta, a vacina funciona melhor”, diz o virologista Bergmann Ribeiro. “O coronavírus gera partículas que podem ficar em suspensão por tempo maior, o potencial de transmissão da Covid-19 nem se compara com o da varíola do macaco, pois ocorre por gotículas e aerossóis”, diz Fabiano Martins.

Termo em inglês

Os cientistas e autoridades de saúde têm preferido usar o termo em inglês “monkeypox” para se referir à varíola do macaco. A ideia é evitar a estigmatização dos primatas, assim como já ocorre com a febre amarela. Na realidade, essa varíola acomete várias espécies de mamíferos.

“Não são os macacos que transmitem. A primeira espécie em que foi detectado foram em roedores silvestres. No Brasil, a gente tem adotado o termo em inglês para criar essa expressão que quase cria um nome e não faz a associação direta com o macaco”, afirma Jonas Brandt. “O animal também é vítima”.

Fonte: Saúde R7

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