Quais as vantagens de adiantar a segunda dose? Tire suas dúvidas

Com a primeira dose já aplicada na maioria dos adultos, algumas cidades brasileiras começam a discutir a antecipação da segunda dose de alguns dos imunizantes. Veja a seguir quais os intervalos de cada vacina e se há vantagens para quem toma em reduzir o espaço entre as injeções
Primeira vacina a ser usada no Brasil, a CoronaVac permite um intervalo entre 14 e 28 dias. Mas para o infectologista Renato Kfouri, membro da diretoria da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e do Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações, há mais vantagens no espaço maior
“Não temos muitas informações para além de 28 dias. Temos dados mostrando que a efetividade, a proteção, dentro dos estudos clínicos e na prática se mostrou melhor com quatro semanas de intervalo. É um intervalo que não deveríamos alterar. A proteção [da primeira dose] se sustenta por 28 dias”, acrescenta Kfouri
No caso da vacina da AstraZeneca, produzida no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), os estudos mostram uma eficácia maior (80%) com a segunda dose 12 semanas após a primeira. A bula, todavia, recomenda que a injeção seja administrada entre quatro e 12 semanas, mas o Ministério da Saúde adotou o esquema mais longo
Kfouri diz que, se for para reduzir o intervalo, o ideal seria para oito semanas. “Encurtamentos de 12 para 8 não alteram a eficácia nem no período interdoses nem no período pós-segunda dose. A própria OMS recomenda não usar intervalos mais curto do que seis semanas para AstraZeneca.”
É importante ressaltar que a primeira dose da vacina da AstraZeneca já confere uma proteção significativa contra casos graves, hospitalizações e mortes. Por esta razão que os especialistas confiam em um espaço maior
O mesmo ocorre com a vacina da Pfizer/BioNTech. Embora a bula recomende 21 dias, estudos de vida real mostram que não há prejuízo para os pacientes em estender esse período. No Brasil, o Ministério da Saúde adotou o esquema de 12 semanas, mas já deve retornar ao recomendado na bula, conforme anúncio feito nesta quarta-feira (18)
Kfouri, porém, afirma que Pfizer e AstraZeneca deveriam ter o intervalo reduzido para oito semanas, com objetivo de facilitar a logística. “Você termina mais rápido o esquema, atinge a proteção ideal e já vai acelerando o término do esquema de outras pessoas”
Um estudo feito na Inglaterra e publicado recentemente no New England Journal of Medicine mostrou que apenas uma dose das vacinas Pfizer e AstraZeneca confere proteção de 30,7% contra casos sintomáticos de covid-19 provocados pela variante Delta do coronavírus
Com o esquema completo, a proteção sobe para 79,6%. Mas o representante da SBIm salienta que a primeira dose destes dois imunizantes pode não evitar a infecção pela Delta, mas aumenta a proteção contra o agravamento da doença
Fonte: Saúde R7




