Peu Mesquita mistura pratos clássicos com contemporâneos no cardápio do Pepo Cucina

Um brasileiro fazendo comida italiana? Sim, isso não é proibido e muito menos não é nenhuma novidade. O Brasil tem chefs que dão show na cozinha das mais diversas nacionalidades. Agora brincar com clássicos de uma culinária estrangeira como a da tradicionalíssima italiana, aí é muita coragem! E se este chef é jovem – acabou de completar 27 anos – então, tem que ver pra crer.
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Bisteca di Maiale – bisteca de porco duroc, roti, mostarda e purê de batata |
E foi o que fizemos. EPIs (equipamentos de proteção individual) a tiracolo e lá fui eu conhecer o novo apronte do chef Peu Mesquita – que já havia surpreendido com suas criações para o extinto M´AR – no Pepo Cucina Contemporânea, ou simplesmente Pepo, restaurante de comida italiana que abriu as portas na Pituba em plena pandemia, no primeiro semestre deste ano.
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Carbonara com ovos caipira, pancetta e queijo pecorino |
Casa cheia em plena quarta-feira! Deu medo, mas impulsionou a curiosidade. Temperatura medida, álcool em gel jorrando nas mãos, máscara ajustada no rosto e uma reza pra Deus que ninguém é bobo, e lá fui eu vivenciar essa aventura gastronômica.
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Filé em crosta de carvão, salada com pão e purê de cenoura com gengibre |
Da porta já dava pra ver o chef em ação na cozinha atrás da enorme vidraça que a separa do salão com capacidade para 45 pessoas. Antes de entrar, passei pelos outros 15 assentos distribuídos na área externa. Todos ocupados. É sucesso mesmo, pensei.
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Burrata com tomate, balsâmico e pão |
Uma ligeira prosa com o comandante e já me abriu o apetite diante do cardápio que ele apresentou. O couvert, composto de pães artesanais de fermentação natural, produzidos na casa pelo chef e pelo chef padeiro Túlio D´Mídio, chega acompanhado de manteiga de limão, pasta de berinjela e azeite. Simples, mas honesto. Especialmente pela qualidade do pão e dos ingredientes.
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Arancini – croquete de risotto com queijo brasileiro |
Um naco de pão no azeite ali, uma colherada de manteiga acolá e eis que chega a primeira entrada: atum selado com purê de feijão branco, rúcula selvagem e vinagrete de pistache. A selagem no ponto exato deixou o peixe macio que, acompanhado do purê levinho, é uma combinação perfeita. Mas o vinagrete de pistache fez toda a diferença no prato. Bingo!
Surpresa mesmo foi a burrata (um dos únicos itens do cardápio que não é feito lá) servido com tomate e balsâmico, é de comer rezando e agradecendo. Questionado sobre a origem da preciosidade que me lembrou o sabor e a consistência daqueles antigos requeijões cremosos da infância (os de hoje têm o mesmo gosto, ou a falta de), o chef titubeou. “É um fornecedor no interior de São Paulo”, disse, sem, claro, revelar a origem. Errado não está.
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Atum selado, purê de feijão branco, rúcula selvagem e viangrete de pistache |
E por falar em surpresa– sim tiveram outras – foi o Gamberi e Fromaggio, um prato com bons camarões acompanhado de tomate seco e uma espuma de queijo grana padano que traz uma suavidade e frescor ao prato que quase faz a gente flutuar.
Na sequência veio o arancini com risoto e queijo brasileiro que estava okey. Talvez por não ser lá muito fã de bolinho de arroz, não salivei. Mas claro que isso é pessoal, até porque essa entrada já uma das mais pedidas da casa. O do Pepo é feito com risoto e queijo brasileiro.
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Tiramissu – creme de mascarpone, savoiardi e café |
Criatividade
Mas a ousadia do chef se faz grande ao misturar uma carne popular como a costela bovina com nhoque. Isso me fez duvidar da escolha. Afinal são duas comidas densas, o nhoque especialmente por ser massudo, em função da farinha, não me apetece muito. Mas, confesso, o prato me surpreendeu.
A dita costela, assada no forno por 12 horas, se desmancha na hora de cortar e desce leve na boca. Quanto ao nhoque, preparado em miniatura, faz desaparecer aquele peso e é muito bem acolhido pelo molho de queijo tulha que dá ainda mais leveza e sabor à combinação.
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Torta de chocolate, caramelo salgado e praliné de avelã |
Mas você deve estar aí se perguntando onde afinal o chef brincou com os clássicos? Passo a pergunta para Peu Mesquita, que começou a trabalhar com comida aos 15 anos e aos 18 já integrava a equipe de um extinto hotel, que estagiou no D.O.M, de Alex Atala e foi souschef do Manga, e se especializou em restaurantes três estrelas da Itália (Sim, da Itália!).
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| Chef Peu Mesquita brinca com a mistura de clássicos e contemporâneos no cardápio do Pepo |
“A brincadeira é fugir daquela ideia de um restaurante italiano tradicional, com todo respeito a tradição, mas quisemos brincar com um cardápio que misturasse clássicos, como o secular carbonora, o ragu, a bolonhesa, com pratos mais contemporâneos reforçando a ideia de que ambos podem conviver harmoniosamente sem prejuízo para nenhuma das partes”, brinca Peu Mesquita que apesar da pouca idade já acumula 12 anos de carreira. Enganou, no bom sentido, a todos nós, mas a experiência vale sim muito a pena. Só faltou a sobremesa, né? Apesar de ter ficado tentado a experimentar o clássico tiramissú, resolvi deixar para a próxima que, com certeza, terá.
Serviço:
@pepo.restaurante
Rua Amazonas, 1111, Villa San Luigi, Pituba.
Fonte: Correio










