Pastor acusado pela morte de Lucas Terra proibiu buscas na igreja, diz amigo da vítima

Fernando Aparecido da Silva, pastor acusado pela morte de Lucas Terra, em 2001, teria proibido fiéis que eram amigos da vítima de procurá-lo após seu desaparecimento. Pelo menos, é isso que aponta Martoni de Oliveira Costa, primeira testemunha a ser ouvida no júri popular em que Fernando e Joel Macedo, outro pastor, são acusados de envolvimento na morte de Lucas.
Martoni de Oliveira Costa, era amigo da vítima e congregava com ele na Igreja Universal da Santa Cruz. De acordo com ele, o pastor Fernando, que era coordenador regional das congregações da Pituba, do Rio Vermelho, da Santa Cruz e do Vale das Pedrinhas, convocou uma assembleia para ordenar que as pessoas da igreja parassem de procurar por Lucas.
“Cerca de 50 pessoas estavam procurando por ele, mas o pastor Fernando nos proibiu de fazer isso no domingo [quatro dias após o desaparecimento] quando ele convocou uma reunião para falar com todos. Mesmo assim, nós continuamos procurando. Ele disse que era um ‘Luquinhas qualquer que iria atrapalhar a obra’ para nos desencorajar a continuar”, fala ele.
Ainda em testemunho, Martoni lembrou do último dia em que viu Lucas Terra em vida, justamente no dia 21 de março de 2001, quando o adolescente desapareceu. Ele lembrou que encontrou a vítima na noite do seu desaparecimento, quando ouviu dele que estaria indo até a Igreja Universal da Pituba para encontrar o pastor Fernando.
“Ele me contou que iria para lá e que, na volta, teria algo que iria me contar. A intenção era ir para lá encontrar Fernando e conseguir essa gravata de obreiro. […] O pastor Fernando, na época, disse que Lucas não tinha estado de lá. Lembro dele dizer que não o conhecia. Quando Lucas desapareceu, o pastor Fernando não demonstrou nenhuma preocupação”, afirma Martoni.
A busca de Lucas por Fernando para conseguir a gravata de obreiro – função de auxiliar na Igreja – se deu, segundo Martoni, porque a vítima, que veio do Rio de Janeiro para Salvador em 2001, congregava com o pastor Fernando na Igreja Universal de Copacabana antes de vir para a capital baiana.
O júri popular de Fernando e de Joel segue no Fórum Ruy Barbosa. Ao todo, 15 testemunhas serão ouvidas no julgamento, sendo cinco de acusação, cinco da defesa de Fernando e cinco da defesa de Joel.
Confira o depoimento de Martoni de Oliveira:
“Lucas congregava na Igreja Universal de Copacabana, no Rio de Janeiro, com o pastor Fernando [o acusado], que está aqui no plenário. Quando soube que Fernando viria para a Bahia, ficou feliz por poder provar o trabalho que fez como obreiro antes no Rio, mostrar o grau de espiritualidade dele e ganhar a gravata de obreiro na Igreja Universal de Santa Cruz”.
“Ele ficou eufórico com a chegada do pastor Fernando e chegou a procurá-lo algumas vezes. No dia 21 de março de 2001, foi a última vez que o vi e ele disse que iria para a Igreja Universal da Pituba. Ele me contou que iria para lá e que, na volta, teria algo que iria me contar. A intenção era ir para lá encontrar Fernando e conseguir essa gravata de obreiro”.
“No dia seguinte, quando eu cheguei na Igreja da Santa Cruz, encontrei o pai de Lucas já nervoso perguntando qual era a última vez que eu tinha visto ele. Só foi ali que percebi que ele não tinha retornado. Ele saiu na quarta a noite e eu fiquei sabendo do desaparecimento na quinta”.
“O pastor Fernando, na época, disse que Lucas não tinha estado de lá. Lembro que ele dizia não conhecer Lucas. Quando ele desapareceu, o pastor Fernando não demonstrou nenhuma preocupação com o sumiço dele”.
“Organizamos grupos para procurar Lucas. […] Isso porque, antes dele desaparecer, um outro irmão tinha desaparecido na Liberdade, a gente se organizou e conseguiu achar. Acreditamos que íamos conseguir de novo”.
“Cerca de 50 pessoas estavam procurando por ele, mas o pastor Fernando nos proibiu de fazer isso no domingo [quatro dias após o desaparecimento] quando ele convocou uma reunião para falar com todos. Mesmo assim, nós continuamos procurando. Ele disse que era um ‘Luquinhas qualquer’ que iria atrapalhar a obra”.
“Quando ele percebeu que eu estava realizando as buscas, o pastor Fernando me advertiu na frente do Silvio Galiza e um segurança. Ele disse que eu estaria dando asas a imaginação do pai de Lucas, que estava pressionando por conta do desaparecimento de Lucas”.
Fonte: Correio




