Conheça Marília Gil, nova diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA)

Criada em uma família ligada às artes e às letras, Marília Gil – filha de Gilberto Gil e da professora Belina Aguiar – até tentou ir contra a maré, mas não houve jeito: mesmo tendo se graduado em psicologia, não demorou muito para que fosse trabalhar com cultura. Logo depois de se formar, em 1991, montou um consultório para atender crianças e dividir seu tempo com os atendimentos infantis em instituições públicas.
Mas logo surgiu uma oportunidade na área de produção cultural e o consultório que ela havia acabado de comprar sequer foi aberto. Não demorou muito e ela o vendeu. A produtora que tinha com a sócia Piti Canella, fundada no mesmo ano da graduação dela, foi crescendo, tomando seu tempo, até que Marília decidiu se dedicar unicamente à empresa.
Passados mais de 30 anos e depois de muita experiência na área de eventos com a Gil & Canella Produções, Marília agora está na gestão pública: passou três anos como coordenadora do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) e assumiu há pouco o cargo de diretora geral da instituição, sucedendo a Pola Ribeiro, que a indicou para a função e foi assumir a diretoria de museus do IPAC.
“Pola me convidou para assumir, então não há um rompimento da gestão dele. Ele é um articulador, figura de relacionamento fácil e que trouxe essa marca na gestão dele. Conseguiu trazer uma nova alma para o Museu, que havia passado por uma desarticulação na pandemia”, diz a nova diretora.
Pola explica por sugeriu o nome dela para o cargo: “Marília tem anos no mercado como produtora e tem um relacionamento externo muito forte com a área da cultura. Além disso, tem ótima relação com os servidores do MAM e foi parte muito importante do resultado na gestão passada. Então, o nome dela surgiu naturalmente [para a sucessão]”.
História
O primeiro show que Piti e Marília trouxeram para Salvador foi um de laceu Valença, na Concha Acústica. Trouxeram também, nos primeiros anos da empresa, espetáculos como Cambaio, de João Falcão e Adriana Falcão, além de um show de Gil e Caetano, no Parque de Exposições. “Pretendia trabalhar com psicologia, mas surgiu o convite para atuar na área de cultura, que foi me absorvendo cada vez mais. Eu curtia aquela vida dinâmica da produção, que não tem uma rotina”.
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Nascida no Rio de Janeiro “por acidente” – segundo ela mesma – em 1967, Marília saiu ainda criança de lá. Gil foi exilado na Inglaterra em 1968 e a filha dele foi viver com os pais do cantor, em Vitória da Conquista, enquanto a mãe dela, Belina, concluía a faculdade no Rio. “Fiquei em Conquista com meus avós, para ter um suporte na infância. Quando minha mãe terminou a faculdade, voltou para o Rio. Fomos morar com ela, mas passamos dois anos lá e depois viemos para Salvador em 1974”, recorda-se.
Na Bahia, viveu a adolescência como muitos de sua época:
“Circulava pelos bairros da cidade e gostava de praia, principalmente o Porto da Barra. Vínhamos ao MAM com um violão depois das provas da escola e tive uma adolescência tranquila”, lembra-se.
A cultura, segundo ela, teve uma presença muito natural em sua vida. “Me envolvi e aprendi a lidar com essas coisas de produção artística sem perceber. Quando a gente vê, acontece!”.
Marília diz que sua gestão no MAM deve manter as marcas da anterior, incluindo a preocupação de acolher e dar espaço a artistas de maneira democrática e diversa. “Não diria que tudo cabe no MAM, mas quase tudo. O pensamento da curadoria [de Daniel Rangel] é trazer esse fundamento de Lina [Bo Bardi, arquiteta que projetou o MAM], de unir o moderno ao popular. Por isso, vamos receber artistas baianos das mais diversas linguagens”, promete a gestora.
Marília ressalta que hoje há cinco espaços expositivos no MAM e isso permite uma diversificação da programação. “Temos dois espaços permanentes e temos uma conquista muito importante, que foi a volta da coleção de arte popular”. A gestora destaca também o MAM dará continuidade ao projeto de residência artística, que já recebeu instituições como o Musas (Museu de Street Art Salvador) e, a partir de hoje, recebe o Ilê Aiyê.
Residência Artística do Ilê
Começa nesta terça-feira (13) às 18h mais uma edição do programa de Residência Artística do MAM, que desta vez vai celebrar os 50 anos do Ilê Aiyê. A instituição que começou como bloco carnavalesco e hoje tem um importante papel social vai promover, nas dependências do Museu, rodas de conversa e oficinas gratuitas de práticas como dança, percussão e trançado de cabelo. No fim deste mês, haverá também um show no Pátio Pôr do Sol.
O início das atividades terá a participação do artista plástico J. Cunha, que comemora nesta terça 75 anos de idade. Cunha foi responsável pela identidade visual e indumentárias do ILÊ durante 25 anos e está com a exposição de acesso gratuito Uanga, em cartaz no Casarão do MAM.
“O Ilê é um instituto completo e, desde que comecei a me relacionar com ele, em 1980, muita coisa aconteceu. Produzimos uma enorme visão da cultura negra na Bahia e uma dessas coisas foram os cadernos de cultura, que foram feitos para escolas e deveriam ser preservados”, recorda o artista.
Fonte: Correio





