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“Nunca mais” é a resposta da mineração a Mariana e Brumadinho, diz Raul Jungmann

O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, destacou o desafio que a atividade tem para a recuperação de sua imagem, após os acidentes com as barragens de Mariana, em 2015, e em Brumadinho, 2019. “Tem uma coisa que não tem como recuperar, que são as vidas. Morte não tem preço, vida é uma coisa sagrada, e, só no caso de Brumadinho, foram 272 pessoas”, lembrou. 

Segundo o executivo, os representantes da mineração brasileira estão fazendo as únicas coisas que cabem, após os problemas. “A primeira coisa que estamos fazendo é a reparação”, disse durante um encontro com jornalistas na Exposibram ontem, em Belo Horizonte. “Outra coisa é assumir um compromisso de que isto nunca mais volte a acontecer”, frisou. “Não podemos trazer vidas de volta, mas podemos trazer mais segurança para as operações”, afirmou. 

Ele destacou ações como um aplicativo que monitora o estado das barragens, cenários de chuvas muito intensas, oferecendo ainda aos usuários informações sobre eventuais rotas de fugas e como agir, em caso de necessidade. Outro aspecto lembrado por Jungmann foi a modernização da legislação brasileira. “Hoje nós termos as leis mais modernas do mundo em relação ao assunto e tivemos uma modificação inclusive em relação às responsabilidades. Quem assina documentos relacionados às barragens não é um diretor, ou o gerente de uma mineradora, mas o presidente da empresa”, explicou. 

O diretor-presidente do Ibram, Raul Jungmann, destacou o amadurecimento das empresas que atuam no setor mineral em relação à importância das questões socioambientais. Ele destacou como exemplo a presença de temas relacionados à agenda ESG na programação da Exposibram. “Um extraterrestre iria pensar que tinha caído num encontro de ambientalistas, porque as palavras são sustentabilidade, diversidade e respeito ao meio ambiente”, avaliou. 

“Tudo isso acontece por uma razão muito simples, não há nenhuma possibilidade de continuarmos existindo, como pessoas ou projetos, se não trouxer para dentro dos seus negócios e da sua vida a questão da crise climática”, acredita. “Não há nada pior do que a possibilidade de legarmos aos nossos filhos e netos uma natureza pior do que a que recebemos”, aponta. 

Apesar da ponderação, Jungmann fez questão de ressaltar que o setor ainda tem muitos problemas e ainda precisa “caminhar” bastante. “Este é um setor muito fechado, retraído, que não fala das suas coisas como poderia. Precisa se abrir, ouvir as críticas e dialogar. Para o presidente do Ibram, a mineração deve mostrar com mais clareza o impacto positivo que traz para a sociedade. 

Jungmann afirmou, citando a Ong MapBiomas como fonte, que a mineração utilizaria apenas 1% do território nacional. “A imagem de uma lavra pode não ser bonita, mas o impacto dela é muito restrito a uma área muito pequena, principalmente quando se compara isso com os benefícios sociais e econômicos gerados”, acredita. 

“Não há possibilidade de termos saúde, educação, de vivermos como sociedade moderna sem mineração”, afirmou, lembrando que um aparelho celular, por exemplo, possui 14 compostos minerais diferentes. “Nenhum de nós vive um minuto se subtrairmos os minérios, não é possível pensar em transição energética para o baixo carbono sem titânio, lítio, molibdênio, das terras raras e assim por diante”, avisou. 

* O jornalista viajou para a cobertura da Exposibram a convite da Bamin.
 

Fonte: Correio

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