Lembra deles? Veja 10 jogadores que encerraram cedo a carreira no futebol

Se há um fator que demarca bem as diferenças entre o que era o futebol profissional nas décadas passadas e o que ele é atualmente, com certeza foi o aprimoramento físico dos atletas e a forma de jogo mais intensa elaborada pelos treinadores. O resultado dessas mudanças implica em atletas mais fortes e dedicados ao seu condicionamento, uma queda no número de lesões dentro e fora de campo e o prolongamento da carreira do jogador.
Não é difícil encontrar figuras brasileiras ou estrangeiras que conseguiram entregar um futebol de alto nível até idades mais avançadas, como Zé Roberto, Rogério Ceni, Totti e Romário. Outros, ainda em atuação, também dão uma aula de experiência em campo, a exemplo de Nenê, Ibrahimovic, Buffon e a lenda do futebol japonês, Kazu Miura, que tem incríveis 53 anos.
Por outro lado, essa não era a realidade do jogo há algum tempo e grandes nomes da bola interromperam sua trajetória no esporte de forma considerada precoce. E a maioria deles por não conseguir entregar dentro de campo o mesmo rendimento de antes, seja por um descuido com a balança e a academia ou por outros fatores pessoais.
O CORREIO resolveu lembrar aqui dez histórias de atletas que deixaram a desejar e penduraram as chuteiras mais cedo do que nós, amantes do futebol, gostaríamos de ver.
Adriano Imperador (34 anos)
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Adriano Imperador foi ídolo na Inter de Milão (Foto: Imago / OneFootball) |
Adriano fez história nos anos 2000, e se consagrou como um dos atacantes mais temidos do futebol italiano. Na Inter de Milão, ganhou o apelido de Imperador e carimbou passaporte para a Copa do Mundo de 2006. Mas, aos poucos, foi caindo de desempenho. Pessoas próximas garantem que a morte do pai, em 2004, mexeu com o emocional de Adriano.
Em 2009, foi campeão brasileiro e artilheiro pelo time do coração, o Flamengo. Depois, teve uma rápida passagem pela Roma e pelo Corinthians, mas, com problemas de comportamento e dificuldade para se manter no peso, não emplacou. Tentou voltar ao futebol em 2014, no Athletico-PR – mas só disputou quatro jogos até ser dispensado – e depois em 2016, fazendo uma única aparição com a camisa do Miami United, aos 34 anos. esde então, nunca mais atuou profissionalmente, apesar de jamais ter anunciado oficialmente sua aposentadoria.
Caio Ribeiro (30 anos)
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| Caio Ribeiro jogou no Santos em 1997 a 98 e entre 2000 e 2001 (Foto: Twitte/Santos) |
Comentarista da TV Globo em dias atuais, Caio Ribeiro pendurou as chuteiras com apenas 30 anos, em 2005. Revelado nas categorias de base do São Paulo, o ex-atacante teve passagens pela Inter de Milão e Napoli, até voltar ao Brasil em 1997, para atuar no Santos. No ano seguinte, se transferiu para o Flamengo e foi decisivo na conquista da Copa Mercosul.
Ao longo de sua carreira, Caio também vestiu a camisa do Fluminense, Grêmio, Rot-Weiss Oberhausen (da Alemanha) e Botafogo, até decidir se aposentar do futebol para dar mais atenção à família.
Denilson (33 anos)
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| Foto clássica de Denilson sendo perseguido por atletas da Turquia na Copa de 2002 (Foto: Arquivo CBF) |
Pentacampeão mundial, Denilson ‘Show’ deixou os gramados aos 33 anos, mas o futebol não desapareceu da sua rotina. O ídolo do Real Bétis, da Espanha, e com passagens marcantes e vitoriosas por São Paulo e Palmeiras, viu sua trajetória dentro de campo migrar rapidamente para as cabines de transmissão e os estúdios de TV. O último clube de Denilson na carreira foi o Kavala, da Grécia, onde disputou dez partidas em 2010. No mesmo ano, a Copa do Mundo da África do Sul abriu as portas para o recente ex-jogador ter a primeira experiência como comentarista na Bandeirantes, ao lado de Renata Fan no Jogo aberto, profissão que não largou nunca mais.
Apesar da carreira mais curta do que a maioria dos atletas, o atacante não deixou de conquistar troféus por onde passou. Além da Copa do Mundo de 2002, Denilson levou com o São Paulo a Conmembol de 1994, o Campeonato Paulista de 1998 e a Copa dos Clubes Brasileiros Campeões Mundiais, em 1995 e 1996. Em 98 ele se tornou a maior venda que o futebol brasileiro já havia feito, custando aos cofres do Bétis 32 milhões de dólares. No exterior ainda jogou no Bordeaux, da França, Al-Nassr, da Arábia Saudita e o Dallas, dos Estados Unidos. O retorno ao Brasil depois de quase dez anos foi justamente para o Palmeiras, onde conquistou o Paulista de 2008.
Roger Flores (33 anos)
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| Roger encerrou sua carreira no futebol atuando pelo Cruzeiro (Foto: Reprodução) |
Com a mesma idade de Denilson, o ex-atacante de Fluminense e Cruzeiro teve o mesmo destino do companheiro, mas foi para a emissora carioca. O destino de Roger foi o Sportv, da Rede Globo, onde já trabalhou como comentarista de partidas, programas ao vivo, e agora comanda a atração Boleiragem. O fim da carreira pouco depois dos 30 anos decorreu no só dos momentos onde oscilou dentro de campo, mas as lesões que também impediram que se firmasse nos clubes.
No Corinthians, por exemplo, Roger tinha como companheiros Carlitos Tevez, Carlos Alberto e Nilmar, quando foram campeões brasileiros em 2005. Mas uma fratura na fíbula o tirou de campo por uma temporada inteira, dificultando seu retorno em alto nível. Roger ainda passou por Flamengo, onde teve mais problemas físicos, e pelo futebol do Catar, em 2009, antes de jogar pela Raposa e pendurar as chuteiras.
Tostão (26 anos)
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| Tostão conquistou a Copa de 70 mesmo após sofrer lesão no olho (Foto: Reprodução) |
Um dos maiores ídolos da história do Cruzeiro, o fim e carreira de Tostão talvez seja um dos mais curiosos da lista. Enquanto muitos chegam aos 26 anos no auge da forma física e técnica, uma série de acontecimentos – alguns por falta de sorte – encurtaram a carreira do centroavante. Jogando contra o Milionários, da Colômbia, em 1969, o jogador recebeu uma bolada no rosto, mais especificamente no olho.
Esse mesmo olho foi alvo de uma segunda bolada, pouco tempo depois, em uma partida entre Cruzeiro e Corinthians. O choque causou um deslocamento de retina. Isso não tirou o empenho de Tostão de se recuperar a tempo de jogar a Copa do Mundo de 1970, no México, mas com o passar dos anos o incômodo foi aumentando, até que em 73, quando já estava no Vasco, resolveu deixar a carreira de jogador para trás.
Michel Platini (32 anos)
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| Platini jogando pela Juventus com sua Bola de Ouro em 1984 (Foto: Reprodução) |
Eleito pela France Football como o melhor jogador francês de todos os tempos, Michel Platini poderia ter ido muito mais longe. É o que dizem os grandes fãs do meio-campista, que, mesmo se aposentando aos 32 anos, deixou um legado marcante no futebol europeu. Sua saída dos gramados aconteceu por uma espontaneidade, uma escolha do camisa 10. Foram três Copas do Mundo pela França (1978, 1982, 1986) até Platini resolver se afastar dos gramados. Pela Juventus, ele ganhou títulos até seus últimos momentos como jogador, levando a Série A de 1985/86.
Mas assim como foi relevante dentro de campo, o mundo pós-aposentadoria reservava grandes coisas para o ex-jogador. Boas e ruins. A experiência como técnico não rendeu grandes frutos, comandando a seleção de seu país por quatro anos sem grande sucesso, mas no meio político do futebol, aí sim Platini foi longe. Em 2002, Platini se tornou membro do Comitê Executivo da Fifa. Em 2007, se candidatou e foi escolhido para presidir a Uefa, onde teve um trabalho reconhecido. Ele estava à frente de mudanças importantes nas regras, como o cartão vermelho direto para o jogador que cometer a falta com o carrinho por trás e a proibição do goleiro pegar a bola recuada com as mãos.
Foram nove anos à frente da entidade e uma saída marcada por escândalos de corrupção. Platini pediu demissão em 2016 após o Tribunal Arbitral do Desporto determinar que ele fosse afastado de qualquer atividade ligada ao futebol. A suspeita era de que Platini teria recebido quase R$ 13 milhões em 2011 por ter prestado serviços ao presidente da Fifa na época, Joseph Blatter. Blatter havia autorizado o pagamento do valor poucas semanas antes de uma nova eleição presidencial da Fifa. A descoberta do escândalo frustrou os planos do ex-jogador de assumir a presidência da Fifa como sucessor de Joseph. Há poucos dias, no começo de novembro, ficou definido que Platini e Blatter serão julgados dentro de alguns meses no tribunal criminal federal em Bellinzona, na Suíça. Platini foi acusado de fraude, apropriação indébita, falsificação e cúmplice da suposta má gestão de Blatter.
Éric Cantona (30 anos)
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| A passagem pelo Manchester United foi a melhor fase de Eric Cantona na carreira (Foto: Reprodução) |
Aqui vai mais uma aposentadoria curiosa na história do futebol. O francês Eric Cantona decidiu largar o futebol aos 30 anos e, na curta carreira que teve, sua personalidade forte e provocadora o guiaram e foram determinantes para pendurar as chuteiras. Após ser contratado pelo Olympique de Marselha (sua cidade natal), aos 22 anos, por mais de US$ 3 milhões de dólares, Cantona se tornou a compra mais cara do time francês. Essa sua primeira passagem não foi boa, tanto que ao ser criticado por torcedores, chutou uma bola contra a arquibancada, brigou com o treinador e decidiu ir embora.
Ao longo dos anos, o jeito Cantona de ser não mudou, apesar do bom desempenho que teve em campo conquistando títulos como uma Copa da França com o Montpellier, Supercopa da Inglaterra com o Leeds United e quatro Premier League com o Manchester United, seu principal clube na carreira. Sua ida para a Inglaterra, inclusive, teve influência do próprio Michel Platini, enquanto era técnico da França no final da década de 80. E foi um afastamento da seleção francesa que o fez encerrar a carreira de vez. Quando não foi convocado pelo técnico Aimé Jacquet para disputar a Copa do Mundo que iria acontecer em seu país natal, em 1998, Cantona determinou que também pararia de jogar futebol. Mesmo com o pedido da torcida do Manchester, o francês foi irrefutável.
Marco Van Basten (30 anos)
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| van Basten levou três vezes a Bola de Ouro (Foto: Interleaning/Reprodução) |
Ídolo da seleção holandesa e do Milan, da Itália, Marco van Basten foi mais um atleta vítima de uma sequência de lesões. Artilheiro em quatro edições da Eredivise pelo Ajax, na Holanda, dois campeonatos italianos e uma Eurocopa, a primeira lesão enfrentada por van Basten aconteceu na temporada de estreia pelo Milan, em 1987/88. Foram apenas 19 jogos, mas com uma marca interessante de oito gols naquele ano.
Mas em 1993 o encontro com as lesões e cirurgias voltou a ser mais frequente. Ele havia acabado de ganhar uma bola de ouro quando precisou fazer uma cirurgia no tornozelo, que o afastou dos gramados por quatro meses e meio. Meses após retornar aos gramados, uma nova cirurgia no mesmo local retardou de vez uma possível retomada aos tempo de ouro de van Basten. Foram apenas dois anos até ele decidir parar, aos 30 anos.
Paolo Rossi (31 anos)
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| Paolo Rossi foi o artilheiro da Copa do Mundo de 1982 (Foto: Reprodução/interleaning) |
Esse nome os brasileiros conhecem bem. O famoso “carrasco da Copa de 82”, Paolo Rossi, também teve a carreira encurtada pelas lesões contínuas. Descoberto por olheiros da Juventus, no começo da década de 70, Rossi mal sabia que apenas 17 anos depois penduraria as chuteiras, ainda jogando na Itália. E o começo de carreira não foi fácil, já que ele não deslanchou vestindo a camisa da Velha Senhora por uma série de lesões no menisco. Alguns anos depois, em uma de suas melhores temporadas, Rossi foi mais um nome dessa lista a conviver com Platini, quando formaram um belo trio de ataque na temporada 1982/83 na Juventus, ao lado do polonês Zbigniew Boniek.
Paolo deixa a Juve em 1985 rumo ao rival Milan, mas voltou a ter problemas físicos recorrentes e saiu dos Rossoneros para o Verona, onde encerrou sua passagem no mundo da bola com 31 anos. Foram 400 jogos pelo campeonato italiano e 154 gols. Paolo Rossi morreu em dezembro de 2020, deixando uma esposa e três filhos.
Rubén de la Red (24 anos)
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| Rúben era uma promessa da seleção da Espanha quando precisou parar de jogar (Foto: Real Madrid/Divulgação) |
O que impediu o espanhol Rubén la Red de seguir sua carreira como jogador não foram problemas com lesão, mas sim um grave problema cardíaco. Em 2008, depois de ser promovido do Real Madrid Castilla para o profissional, De la Red sofreu um desmaio diante do Real Unión, em jogo pela Copa do Rei. Em um caso parecido com o de Erikssen, na Eurocopa de 2020 pela Dinamarca, Rubén desmaiou e foi atendido rapidamente pelos médicos e posteriormente levado ao hospital.
O meio-campista ainda esperou um ano para confirmar que não poderia voltar a jogar futebol. Em julho de 2009 foi constatada sua impossibilidade de voltar aos gramados e, ao contrário do futebol atual, onde a tecnologia permite que atletas desempenhem suas funções usando uma espécie de desfibrilador, Rubén De la Red não teve a mesma sorte e deixou de jogar. Além do Real, ele chegou a ter passagens pela seleção principal da Espanha e também pelo Getafe.
Fonte: Correio











