Itapuã, destino turístico

Itapuã são duas: a de Caymmi e a de Vinicius. Unindo as duas, o mesmo mar, o mesmo sol, a mesma praia e uma plêiade de artistas e intelectuais. Uma mistura que produz um destino turístico diferenciado, acessível aos encantos de toda a cidade de Salvador.
A primeira, a Itapuã tradicional, da colônia de pescadores, cheia de simplicidade, caracterizada pelo jeito malemolente das pessoas, com seus candomblés, seus blocos carnavalescos, a “lavagem” de sua Igreja, suas baianas de acarajé, seus bares e restaurantes, estende-se pela Orla, da praia de Placafor até o Largo situado na confluência da Ladeira do Abaeté com a rua Aristides Milton.
A segunda, a Itapuã moderna, com boas, novas e amplas construções, loteamentos, hotéis, villages, condomínios horizontais, conjuntos habitacionais e baixa densidade demográfica. Essa vai do Loteamento Pedra do Sal até o limite de Salvador com Lauro de Freitas.
Características positivas não lhe faltam: já beneficiada pelo Projeto Orla, Itapuã enseia por um pedido de inclusão no programa Bandeira Azul, em que já figuram praias da Ilha dos Frades e da Costa de Camaçari. Parques, conta com o de Abaeté e o das Dunas. A dez minutos do Aeroporto Internacional, situação extremamente cômoda para o turista que, ao descer do avião, já está praticamente na porta do hotel. É também uma área tranquila, isolada dos fluxos de passagem de veículos, permitindo uma estadia sossegada e prazerosa, em pleno interior da metrópole.
Do ponto de vista natural, o cordão de dunas interior, abrigando a famosa Lagoa do Abaeté (“lagoa escura, arrodeada de areia branca”), sagrada para os adeptos do Candomblé, urbanizada no início dos anos 1990, quando implantamos a primeira etapa, com projeto da arquiteta-paisagista Rosa Kliass, a área encontra-se degradada e em estado de abandono sem, no entanto, perder a sua majestade. E o Parque das Dunas que lhe é contíguo, com sua vegetação de restinga, também segue nos primeiros estágios de desenvolvimento.
A eles se agrega o Farol de Itapuã, que precisa ter a sua visão liberada, no sentido terra-mar, assim como é possível antever-se uma reconfiguração da antiga “vila dos sargentos”, no trecho final da avenida Octávio Mangabeira, além de melhorias habitacionais e urbanização das áreas de ocupação espontânea, todas já consolidadas.
Itapuã constitui um produto turístico de primeira linha, praticamente pronto, carente apenas de uma clara estratégia de desenvolvimento, no conceito das zonas econômicas especiais, para agregar valor à cidade e criar grande capacidade na atração de visitantes.
Aliás, trata-se da última oportunidade que Salvador tem de desenvolver uma área turística “pé-na-areia”. Para tanto, o PDDU de 2016 identificou e reservou, sob inspiração de Paulo Gaudenzi, um conjunto de quatro ou cinco grandes glebas remanescentes, proprietários únicos, em terrenos com área superior a 10.000m², para a implantação de empreendimentos hoteleiros que foram enquadradas como Zona de Interesse Turístico e para as quais, inclusive, estabeleceu incentivos de uso (LOUOS, art. 153 e 154), na linha de promover a simbiose entre o uso do solo e a destinação econômica.
Com imagem consolidada, construída por grandes compositores e artistas plásticos consagrados, trata-se de uma área de grande apelo e fácil promoção, uma âncora que Salvador precisa, para fortalecer sua economia e gerar trabalho e renda.
Itapuã é um destino turístico aguardando por acontecer.
Waldeck Ornélas é especialista em planejamento urbano-regional. Autor de “Cidades e Municípios: gestão e planejamento”.
Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade dos autores
Fonte: Correio




