Em clima de despedida, fãs se emocionam em concerto da Osba

A música, por si só, sensibiliza. Mas, quem foi assistir ao segundo e último dia do ‘Drummond em Concerto’, apresentação da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), realizada no último sábado (22), na Sala do Coro, no Teatro Castro Alves, teve uma razão a mais para se emocionar. Com a proximidade da decisão sobre o edital de gestão da orquestra, o concerto pode ter sido o último com o maestro Carlos Prazeres à frente dos músicos. A artista e professora Gosi Sousa conseguiu garantir o seu ingresso meia hora após o início das vendas, no último dia 12. Minutos depois, eles haviam se esgotado. Assim como ela, muitos quiseram assistir e ouvir um pouco mais desta formação da Osba. “Não consigo nem imaginar uma despedida de Carlos Prazeres. A música atravessa o tempo e o espaço. Essa direção fez com que isso chegasse ao povo, a todos nós, aos que querem sentar nas cadeiras, no chão, na Sala do Coro, na Sala Principal, aos que pagam e aos que podem presenciar de graça”, afirmou a artista. No caminho até a Sala do Coro, foi possível encontrar algumas pessoas emocionadas. Cátia Regina Caribé era uma delas. “Não vou nem falar, porque vou me emocionar”, disparou. Já a filha de Cátia, a nutricionista Ana Verena Caribé, não escondeu a tristeza com a possibilidade da saída do maestro. “Ele conseguiu agregar todos os públicos. A gente tem esperança de que alguma coisa possa acontecer, mas realmente estamos abaladas”, contou. Recurso A esperança de quem quer a manutenção desta gestão da orquestra está no recurso ao edital que a Associação dos Amigos do Teatro Castro (ATCA), atual gestora, tinha que acionar até a última quinta (20). A ATCA e o maestro Carlos Prazeres não informaram se entraram com o recurso, o que também não foi divulgado no Diário Oficial do Estado da Bahia até a edição deste sábado. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Cultura do Estado (Secult), que também não respondeu sobre o assunto. Caso não tenha recorrido ao edital, a ATCA seguirá desclassificada do certame que, atualmente, só conta com o Instituto de Desenvolvimento Social pela Música (IDSM) na disputa. Para Lia Robatto, fundadora da ATCA, a atual direção trouxe uma contribuição importante para a música clássica baiana. “Prazeres veio trazer, após décadas, um público jovem para assistir música de concerto. Aqui, na Bahia, esse tipo de música estava restrito a uma faixa etária mais velha. Ele, com seu carisma e didática revolucionária, conseguiu atrair o jovem para a música clássica”, avaliou. Essa acessibilidade foi o que atraiu a atenção do empresário Jonas Sousa. “Desde o começo, me identifiquei com os músicos e o maestro, que é muito atencioso com o público, muito acessível”, lembrou. O que fez a jornalista e escritora Mariana Paiva, que recitou versos de Drummond durante a apresentação, enxergar a contribuição da orquestra de uma outra forma. “Hoje, vejo a Osba além de um instrumento de cultura, mas, principalmente, como uma opção de lazer para a cidade”, revelou. Durante o concerto, Carlos Prazeres também comentou sobre essa característica. “Uma orquestra não é para gente tocar belas músicas para uma sociedade que vem assistir, mas para mudar uma sociedade para melhor, integrando de todas as formas”, disse entre uma música e outra. Futuro Apesar do clima de despedida na platéia, ele não descartou a possibilidade de um futuro com a orquestra estadual. “Eu tenho um milhão de planos para a Osba. O certame ainda não acabou, mas, se por acaso, eu tiver que sair, saio com a sensação de dever cumprido”, afirmou o maestro, salientando a torcida pela próxima gestão, caso sua saída seja concretizada. Ainda no palco, ele foi aplaudido de pé quando disse que um novo comando deve manter o público da Osba apaixonado, com originalidade, descartando os moldes de outras orquestras. “Na Bahia, para você ter uma orquestra, ela precisa ser revolucionária, baiana e gerar no público uma sensação de pertencimento”. Caso o IDSM seja confirmado como novo gestor, o maestro e violinista Cláudio Cruz, regente e diretor musical da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo desde 2012, deve assumir a Osba, como já foi anunciado pelo Instituto. Cruz já recebeu importantes prêmios como o Grammy Awards, Prêmio Carlos Gomes, Prêmio Bravo e o Prêmio APCA, da Associação Paulista de Críticos de Artes, e tem passagens por filarmônicas como a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, a Orquestra Sinfônica de Campinas, a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e a Orquestra de Câmara Villa-Lobos. Ele também já comandou a Osba em concertos entre 2008 e 2010, a convite do maestro Ricardo Castro. Sobre qual seria o momento da transição, caso ele ocorra, a assessoria da Osba já havia informado em nota que ainda não há uma sinalização da Secult sobre o prazo que a atual gestão permanece, caso o IDSM assuma. Inicialmente, o contrato emergencial vai até o final de setembro, segundo a nota. *Sob orientação da subeditora Monique Lôbo
Fonte: Correio




