Bahia

Torcedores do Vitória lamentam morte de Alvinho 'Barriga Mole'

A notícia da morte de Alvinho ‘Barriga Mole’ no dia de Natal deixou Paulo Leandro sem chão por algum tempo. Não apenas pela dose extra de sensibilidade que a data festiva provoca, mas porque a perda acessou memórias de uma vida inteira como rubro-negro. Ele conheceu o torcedor-símbolo muito antes de se tornar jornalista e pesquisador, quando o pai o levava ao estádio para ver o Vitória jogar. 

“Eu ainda era criança e via aquela figura diferente levando uma imagem do Padre Cícero, até hoje uma das principais lideranças políticas do nosso Nordeste. Ajoelhado, ele atravessava todo o gramado da Fonte Nova nos momentos de alegria do time, de títulos, que eram muito raros. Ele enfrentou com muita força a época ruim. Lembro de muitas coisas dele. Uma pessoa bondosa e maravilhosa”, recorda Paulo Leandro, emocionado.

Álvaro Ribeiro dos Santos morreu neste domingo (25), aos 89 anos. Ele deixou viúva Marlene Santos e três filhos: Celso Ribeiro, Almerinda Ribeiro e Cátia Ribeiro. O velório e a cremação aconteceram no Cemitério do Jardim da Saudade, em Salvador.

Na opinião de Paulo Leandro, a morte de Alvinho ‘Barriga Mole’ representa a extinção de um paradigma. “Alvinho representa o valor da persistência, da perseverança. Com ele, morre um paradigma do torcedor que é um apaixonado incondicional pelo clube. Ele enfrentou com aquela imagem o tempo das vacas magérrimas do Vitória. Tempo sem título, o tempo que, para ganhar um título estadual, era muito raro. Ele representa, de um ponto de vista histórico, o paradigma desse torcedor que, incondicionalmente, se apaixonava”, afirmou o pesquisador de 59 anos. 

“Hoje já estamos migrando para o paradigma do torcedor cliente, aquele que paga o Sou Mais Vitória. Hoje é tudo muito caro e higienizado. Hoje o paradigma está mudando para o de um torcedor cliente, aquele que quer que o time ganhe porque ele pagou para isso”, completou.

Escritor do livro ‘Memórias do Esporte Clube Vitória’, Tiago Bittencourt é de uma geração diferente da de Paulo Leandro, mas também guarda recordações de Alvinho. 

“Eu não cheguei a conhecê-lo, mas vi nos gramados e era marcante, porque para um menino, uma criança, estar no gramado do Barradão era um sonho. Depois de um título, comemorar com os jogadores, Minha história de torcedor é da década de 90 e a gente via Alvinho atravessar de joelhos o gramado do Barradão. Isso era uma coisa fascinante. Era realmente incrível. Todo torcedor do Vitória tem a lembrança”, afirma o jornalista e torcedor rubro-negro de 37 anos.

“Ele já tinha idade avançada e nos últimos anos ele já não participava, mas são esses ícones da torcida que o futebol sempre teve que, aos poucos, vão se apagando. O futebol tem que voltar realmente a ter esses ícones, essas figuras folclóricas, que você admira de longe pelo diferencial que ele tem. E Alvinho tinha esse diferencial realmente”, completa Bittencourt. 

O Vitória divulgou uma nota lamentando a morte do torcedor-símbolo: “O Vitória lamenta, com profundo pesar, o falecimento do torcedor e ex-conselheiro, e se solidariza com os familiares e amigos de Alvinho ‘Barriga mole’ neste momento de imensa tristeza. Descanse em paz”.

Presidente do Vitória, Fábio Mota também falou ao CORREIO. “Alvinho é um torcedor chave e símbolo do Vitória. É uma pessoa que inspirou muitos e muitos torcedores. É uma perda irreparável para a torcida. Nós estamos muito tristes com o acontecimento. Alvinho representa muito a torcida do Vitória, pela sua representatividade, pelo seu jeito de ser, pelo seu espírito guerreiro de devoção e fé. Inspirou muitos jogadores, diretores, presidentes a seguir o barco e comigo não foi diferente”, afirmou o dirigente. 

Fonte: Correio

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