Sargento da PM é sequestrado por homens armados em Salvador

Depois de 31 anos na Polícia Militar, o sargento reformado Dorgivaldo Félix dos Santos, 54 anos, erguia um sonho. Ele construía um restaurante, a poucos metros de casa, no bairro de Fazenda Cassange, quando fora surpreendido por quatro homens encapuzados que o sequestraram na tarde deste sábado (2). Ele foi algemado e colocado na mala de um carro e desde então nunca mais foi visto.
Segundo a família do PM, Dorgivaldo estava na companhia de dois amigos, um pedreiro e um ajudante de pedreiro, mas só ele foi levado. “Chegaram quatro homens dizendo: ‘Perdeu, perdeu. Quem é o policial?’. Ele não se identificou, não sei o porquê. Aí, o outro homem armado disse: ‘Todo mundo no chão, deita no chão’. Foi quando identificaram ele e o pegaram”, conto o filho caçula do policial, Rivaldo Félix, 18.
Em nota, a Polícia Civil informou que quatro homens armados levaram a vítima, no porta-malas de um veículo da marca Nissan. Foram coletados depoimentos de testemunhas e outras ações investigativas já estão sendo realizadas. Os detalhes do caso não podem ser informados, para não interferir no andamento das apurações.
De acordo com a família, o sequestro aconteceu por volta das 16h30, na Rua Pica-Pau. “Meu pai estava batendo uma laje, construído o comércio dele, estava fazendo um restaurante na via principal, junto com quatro pessoas, quando eles chegaram”, contou Rivaldo.
Os bandidos estavam com metralhadoras e escotas. Inicialmente, eles chegaram a algemar uma das pessoas que trabalhava na obra – nesse momento, o PM aposentado e as outras quatro pessoas que estavam com ele, já estavam todos deitados no chão. “Mas aí um deles (bandidos), que pareceria que conhecia meu pai, disse: ‘Nele não, no outro’ e algemaram o meu pai e depois botaram ele no porta-malas do carro”, contou o filho do PM.
Riovaldo disse que até o momento, os bandidos não fizeram nenhuma exigência à família. “Ninguém entrou em contato, desde o sábado. Antes, a gente ligava para o celular dele e fazia só tocar ou eles recusavam as chamadas. Agora, o aparelho do meu pai só anda desligado, como se tivessem tirado o chip”, disse o filho abalado.
A família disse que, além do paradeiro do PM, quer saber o motivo para o sequestro. “Meu pai não tinha inimigos. Lá, todo mundo gostava dele. A gente não sabe o porquê de eles terem feito isso. Só levaram ele. Ninguém tem ideia do que poderia acontecido”, declarou o rapaz.
Ainda de acordo com parentes, câmeras de segurança poderão ajudar na investigação. “Eu e meus irmãos fomos atrás das câmeras, mas o Draco (Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado) já esteve lá e coletou as imagens”, relatou Rivaldo.
Apesar de toda a circunstância, ele acredita que o pai está vivo. “Tenho a esperança de encontrá-lo. Não podemos perder a esperança. Não o que pode ter acontecido. Passa muita coisa em nossa cabeça. Ele pode ter sendo torturado”, declarou.
Dorgivaldo atuou por 31 anos na PM e há quatro anos estava na reserva. Quando sargento, ele atuou em várias unidades, sendo a última a 9ª Companhia Independente (Pirajá). Mas há um ano, ele começou a construir um sonho.
“O restaurante era o sonho dele. Ele vinha juntando dinheiro para erguer esse sonho, mas infelizmente aconteceu isso. A intensão dele é vender comida de todo tipo. Ele estava construído para pegar o público que trabalha numa pedreira”, contou o filho.
Protesto
Em busca de repostas, parentes do PM protestaram na BR-324, na região próxima à Estrada de Campinas, por volta das 10h desta segunda-feira (4). Eles ocuparam uma das vias e queimaram pneus. Os manifestantes usaram também cartazes para chamara a atenção das autoridades para o sequestro do sargento.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) esteve no local para controlar o tráfego e a pista foi liberada por volta das 10h30.
Fonte: Correio

