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Quem é Lene Sensitiva, a vidente que previu o drama do apresentador Tiago Leifert

Lene está com a agenda cheia até julho (Foto: Divulgação)

Para se consultar com ela, só com disposição para esperar. A agenda está fechada até julho e, para tentar marcar um horário, é preciso se pendurar no telefone até que Lene Sensitiva surja na linha. Ex-empregada doméstica, a autointitulada vidente, natural do interior do Maranhão, hoje atende 15 pessoas por dia. Por alguma pista do futuro, elas pagam até R$ 650 pelo tempo de Lene, cada dia mais disputado. 

 É da casa onde mora com o marido e as duas filhas, em Sorocaba, interior de São Paulo, que Elene Vieira, 38 anos, atende os clientes. Raramente existem encontros presenciais com algum deles, mesmo antes da pandemia. As consultas acontecem via celular, por mensagem, ligação ou chamada de vídeo. As chamadas de voz custam R$ 450 – as de vídeo são mais caras.

“Não trabalho com cartas, nada disso. Esse é um dom que eu tenho. As coisas vêm de forma natural e eu vou falando”, conta Lene. 

Lene Sensitiva faz parte de uma nova leva de videntes, sensitivos, clarividentes ou astrólogos – há um universo de nomes para quem se diz capaz de antecipar o futuro, cada um adota aquele que prefere e está mais relacionado à sua linha de trabalho. No Instagram, eles têm milhares de seguidores e são procurados por famosos e anônimos.

Nos anos 90, década do outro boom do nicho da adivinhação, eram aparições na televisão que atingiam o grande público. Nomes como Mãe Dinah se tornaram conhecidos no cotidiano. “Na pandemia aumentou e muito a procura. As pessoas querem saber de tudo, se o marido está traindo, se o negócio vai dar certo”, explica Lene, que ficou conhecida nacionalmente por cravar o bicampeonato do Palmeiras na Libertadores, a saída de Faustão da TV Globo e, recentemente, por indicar o motivo do afastamento do apresentador Tiago Leifert do trabalho – “um problema de saúde”. Semana passada, Liefert e Daiana, a esposa dele, revelaram que a filha do casal está com um câncer raro nos olhos. 

O início das adivinhações
Foi no quarto, na cidade de Paulo Ramos, aos sete anos, que Lene conta ter tido a primeira visão do futuro. O avô, que fisicamente não estava lá, apareceu como numa miragem para a neta e contou que estava “indo embora”. “Eu contei que ele ia morrer para minha família, mas ninguém acreditou”, lembra Lene. Pouco tempo depois, chegou a notícia do falecimento, trazida por um tio. “Mas as pessoas me achavam louca, eu não contava a ninguém”. 

 Lene só transformou o que ela chama de “dom” em trabalho em 2015. Ela tinha acabado de chegar em Sorocaba e incentivada por Murilo, o namorado que se tornaria seu marido, passou a atender clientes pelo celular. Na época, não trabalhava mais como empregada doméstica e havia pedido demissão do cargo de atendente num supermercado. Como precisou trabalhar desde jovem, antes dos 15 anos, Lene não terminou os estudos. Concluiu apenas o sexto ano. “Mas, sinceramente, nem faço questão de terminar ou cursar faculdade”. 

De segunda a sexta, das 9h30 às 22h30, o foco é outro: sentir e interpretar. Sempre que vem uma visão à mente, Lene corre para o telefone. É para um jornalista parceiro que ela liga. “Ele anota todas as minhas previsões. Algumas não falo os nomes, porque não é ético”. Como as visões vêm, segundo ela, independentemente de estar ou não com a pessoa, Lene publica diariamente algumas das suas intuições. “Algumas são trágicas, como um grande desencarno que eu vejo em São Paulo, mas prefiro mentalizar meus mantras. Acredito muito no poder da energia”. Somente aos fins de semana, a sensitiva dá uma pausa no trabalho – as previsões, ainda assim, não deixam de vir. 

A eterna busca por sentido 
A busca por uma definição do futuro, neste momento de pandemia, faz parte de duas procuras tão antigas quanto a própria existência humana: por sentido e significado. Elas podem, no entanto, se tornar mais intensas, a depender do momento vivido individual ou coletivamente. Desde meados do século 20, há estudos que apontam para o fato de períodos de estresse, como uma pandemia, serem “gatilhos para ter algum senso de controle da realidade”, explica Leonardo Martins, professor colaborador da Universidade de São Paulo (USP) e membro do laboratório de Psicologia Social da Religião. 

Os seres humanos, na verdade, não suportam a falta de sentido para as coisas. E isso se reflete nos acontecimentos mais banais da rotina. “Se eu te falar a palavra ‘besouro’ e cair um besouro agora, na sua frente, você não vai ficar imune a isso, vai querer dar um significado”, provoca Martins. Como o futuro é o tempo da incerteza, é sobre ele que a busca por sentido e controle se centram.

“Se a gente tem recursos culturais que prometem dar respostas, a chance de você se render a isso, é maior”, esclarece.

Do ponto de vista científico, não há provas da possibilidade de prever o futuro. Há, sim, um conceito que fala sobre uma capacidade de captar, no inconsciente, elementos que a maioria das pessoas não capta. É a “Transliminaridade”. Todos têm percepções que são inconscientes – enquanto você lê este texto, por exemplo, não havia percebido que sua pele está tocando sua roupa. Agora, você repara, simplesmente porque leu isso. Mas existem pessoas que gravam essas informações no inconsciente de forma mais expressiva. 

“Imagine uma pessoa que teve uma sensação estranha ao pisar numa ponte de madeira. Algo no inconsciente apitou. Na volta, a ponte está desabando. Onde você vai achar a explicação? Na cultura”. Num universo de incertezas, falar de intuição pode ser “muito amplo”, indica o pesquisador. “Existem estudos que sugerem que talvez, quem sabe, possa ter algo aí”.

Magia ou dom?
Antes de qualquer consulta, Mãe Carla (Carla Brasil), 32 anos, gosta de colocar as coisas no devido lugar. Na mesa de atendimento, não haverá “magia” e o futuro não é ela quem define. “Busco falar logo para quem vem aqui: isso aqui não é magia e não vai ser como você quer”, diz Carla, que vem de uma linhagem de cartomantes e videntes na cidade de Santo Antônio de Jesus. “Não sou benzedeira. A minha linhagem é de cura espiritual e abertura de caminhos”, define. No Instagram, Mãe Carla se define como astróloga e vidente. O preço da consulta com ela varia de R$ 150 a R$ 200 por, em média, 40 minutos. 

 São dois os métodos mais utilizados no trabalho dos videntes que a reportagem ouviu: o oráculo (a consulta por meio do tarô das cartas ou búzios) ou clarividência, a habilidade de consultar o futuro sem a utilização de qualquer técnica.

“Buscar a espiritualidade não é dizer ‘quero ganhar na mega-sena’, isso não vai acontecer aqui”, diferencia Mãe Carla que, na infância, se acostumou a ver todo tipo de gente à porta da casa onde morava com a mãe, cartomante, em busca de conselhos espirituais. 

No Instagram, Mãe Carla tem 25 mil seguidores. É um canal mais recente na comunicação dos videntes, cujas previsões, se dizem respeito a pessoas famosas ou acontecimentos nacionais, logo vão parar em páginas de notícias ou fofocas. O perfil dos clientes varia de empresários a donas de casa e independe, ao que parece, das crenças religiosas. 

 “Aqui vem de pastor a evangélico e filho de santo. Meus clientes, mais de 90%, são de evangélicos”, diz Aritana de Oxóssi, nome de trabalho do vidente Sílvio França.

Há pessoas que chegam ainda com a bíblia na mão, o vidente conta, para se consultarem com ele, que atende em quatro salas de um prédio próximo ao Pelourinho, em Salvador, há quase 30 anos. Lá, as previsões acontecem principalmente pela quiromancia (leitura das mãos) ou leitura dos búzios. “Para mim, é uma coisa muito natural revelar o que vem pela frente, uma coisa muito simples”, afirma Aritana. Desde a infância, ele diz ter visões do futuro. “Os amigos até brincavam para eu não falar nada, que acontecia”, conta. 

Aritana e os búzios (Foto: Jeferson Wiliames/Divulgação)

Os cursos da adivinhação 
Ver espíritos pela clarividência, desbloquear a sensibilidade energética, descobrir suas vidas passadas e as tendências do futuro: é o que um curso de três meses, online, promete aos alunos pelo preço de R$ 360, em aulas com um sacerdote espiritualista, Thiago Azevedo. “Você tem total liberdade de dar consultas, ler a aura, vidas passadas e assim por diante. Depende só de você”, diz o mentor na apostila de apresentação do curso. 

Como atrai cada vez mais pessoas para seu círculo, o mercado da clarividência está em ebulição. Não só pelas consultas com os videntes, mas por meio de cursos que prometem ativar sua sensitividade e te ensinar prever o futuro. Quem trabalha no segmento tem posições que divergem – uns acreditam ser possível, sim, ensinar como prever os dias que virão, outros dizem ser impossível ensinar o que seria um “dom”.

“Tem curso para cartomante, curso para fazer trabalho. Aquilo que você tomou curso é comércio. Quando você tem o legado, você fala uma coisa sem ter aprendido ela. É uma missão”, acredita o vidente baiano Aritana de Oxóssi.

O professor e sacerdote espiritualista Thiago Azevedo, que oferece um curso de clarividência, discorda. “Antes de encarnar na vida física, éramos espíritos, certo? Então ao treinar para abrir aqui na vida física, estamos apenas recuperando uma habilidade que sempre foi nossa”, diz. Ele acredita que, sim, é “natural haver críticas” a esses ensinamentos, “pois houve muita influência da cultura cristã”. Para ele, é possível treinar e exercitar a consciência. “Mas que fique claro: clarividência não é onisciência. Onisciente só Deus. As vezes as pessoas confundem isso”.

Previsões para 2022, segundo Aritana de Oxóssi

O vidente Aritana de Oxóssi jogou os búzios, a pedido da reportagem, e respondeu perguntas sobre o ano de 2022. O sacerdote apontou as previsões para as eleições e para a pandemia ao longo deste ano.

O que se pode esperar de 2022?

Esse 2022 é um ano realmente das dores. É um ano do surto, é um ano da depressão e das pessoas que realmente não acreditavam num Deus maior. O búzio revela que, na verdade, aqueles que não se encontram espiritualmente fortes com Deus e a natureza, serão cobrados. Quem desafiar a terra vai ser cobrado. É um ano do complexo e da disputa. Por mais maquiagem que se faça sobre a natureza do que realmente ocorre, haverá muito mais supremacia para 2023. Esse ano começará com uma demanda perigosa a partir do mês de junho, quando começarão muitos problemas relacionados a novas gerações de vírus e bactérias. Até 2030, vejo uma grande barreira a cumprir. Muitas pessoas vão desencarnar, isso tenha certeza. É um ano de tensão.

E sobre as eleições?

Temos uma disputa mundial, uma disputa de reinados. No final, pode ser no final de 2022, haverá uma calma. Até novembro, será pegado. Não é só disputa pela eleição, mas disputa pelo poder, que será muito maior do que a preocupação com a vida humana. A vida humana é usada para fortalecer a busca pelo poder. As eleições não dependem do mundo espiritual, mas de duas moedas: um dia ela cai de um lado, outro dia de outro. Haverá grandes e pequenas pessoas que, de onde menos se espera, vão dar respostas ao povo que precisa. A persistência será a vitória. Mas, cuidado, tem políticos que vão concorrer que não verão a luz do dia para continuar. Deus dá a vida e Deus tira e sabe o que cabe a cada um de nós. Há pessoas que não estarão presentes nas eleições, vão desencarnar.

2021 foi um ano de muitas perdas, o que se desenha para 2022?

Em 2021 as perdas foram naturais: da “bactéria do pecado”, que já era mencionada, que todas as religiões e nações se curvariam. O prenome dado pelos homens foi covid-19. Levou milhares de pessoas. A natureza deu a resposta ao homem sobre que poder ela tem e vai continuar mostrando em 2022. 2022 ainda vai recomeçar isso no segundo semestre: a natureza vai dar respostas. O ser humano é um papel e, quando a natureza molha, ele se dissolve. A partir do segundo semestre, vai ser muito complicado e muito marcante, semelhante ao 2021. Esperamos que não aconteça, mas é o que os búzios declaram. A natureza vai cobrar no ar e na terra. Tudo isso só acaba em 2025.

Quanto à pandemia, há algum indicativo de fim?

Haverá outra pandemia para substituir essa. O governo tem que deixar o ego de lado e pensar mais na nação, porque todos são iguais, ricos ou pobres. Tudo indica que as pessoas têm que obedecer, dentro dos limites, o que se deve ser feito. Para que não aconteça a tragédia prevista, porque não será muito bom enquanto o amor e a união não existir, não será bom.

Fonte: Correio

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