O encantado Palmeiras de Abel Ferreira massacrou o São Paulo. R$ 447,5 milhões em prêmios. Nove finais. E cinco títulos

Cesar Greco/Palmeiras
São Paulo, Brasil
Cerca de 1.500 torcedores acompanharam a final do Paulista atrás do palco montado para o show do grupo norte-americano Maroon Five, amanhã, no Allianz Parque.
Eles ficaram dentro do estádio, viviam a vibração do público, só que não tinham como assistir ao jogo. Viam por um telão.
Foi a ideia da diretoria para aproveitar o espaço desperdiçado. A montagem do palco quatro dias antes do show era uma exigência dos organizadores da turnê, que a construtora WTorre, dona dos espetáculos fora o futebol na arena, aceitou, sem saber a data da final do Paulista. Muito menos que o Palmeiras estaria na decisão.
Os 1.500 torcedores vibraram com a espetacular goleada por 4 a 0, do Palmeiras contra o São Paulo, que garantiu o título paulista, revertendo a vantagem de dois gols que o time de Rogério Ceni tinha, depois do 3 a 1 de quarta-feira, no Morumbi.
A vibração maior do que os gols palmeirenses, para a ‘torcida do telão’, aconteceu após a partida. Quando ninguém menos do que o Abel Ferreira fez questão de ir saudá-los, comemorar com eles a goleada, o título.
“Queria agradecer do fundo do coração! Jogar aqui, com este ambiente, empurra! Empurra! Mais uma vez o chiqueiro pegou fogo. Eles foram ao nosso treino e cantaram isso durante o treino todo. É o time da virada, o time do amor. É isso que se sente no clube.
“Nunca na minha vida, enquanto jogador ou treinador, senti importância tal dos nossos torcedores como hoje.”
Abel Ferreira foi fundamental para a conquista incrível de ontem. Foi ele quem insistiu com a presidente Leila Pereira para que o jogo acontecesse ‘de qualquer maneira’ no Allianz Parque. Mesmo com palco montado. Ele foi direto com Leila. Afirmou que, sem a pressão da torcida, a chance de reveter os dois gols de vantagem do São Paulo seria nula.
O efeito dos 31.836 palmeirenses foi impactante.
Danilo foi direto ao resumir o sentimento dos jogadores de Rogério Ceni, diante da pressão na arena palmeirense.
“A torcida fez os ‘trikas’ tremerem. Os caras estavam cagados.”
O apoio, o incentivo, os cantos e os gritos de apoio dos palmeirenses foram fundamentais no plano tático de Abel Ferreira.
Ele sabia que o São Paulo atuaria atrás, marcando, esperando um contragolpe. Só que as linhas de marcação, ensaiadas por Rogério Ceni, estavam atrás demais. Passando confiança aos jogadores do Palmeiras.
Palmeiras
A postura tricolor era acovardada.
O time de Rogério Ceni foi se encolhendo, diante dos gols que foi tomando.
“Os caras vão ter pesadelos pesadelos com a gente”, ironizava Zé Raphael.
Abel Ferreira treinou seu time para seguir o embalo da torcida, pressionando a saída de bola do São Paulo e forçar muitas triangulações, principalmente pela direita. O técnico sabia que Pablo Maia acompanharia individualmente Raphael Veiga e Rodrigo Nestor tentaria fechar o espaço de Gustavo Scarpa. O português mandou os dois afunilarem, centralizarem. Atrair os volantes são paulinos.
Para que Dudu tivesse um duelo particular com Wellington. E o atacante, velocista, habilidoso, fez o que quis. Foi peça fundamental para a vitória e título palmeirense. Graças à visão de Abel Ferreira.
Ele comemorou sua quinta conquista de título, em um ano e meio. E nona final. É o único treinador da história do Palmeiras a ser campeão estadual, nacional e continental.
“Sou uma peça, mas uma peça dentro de um relógio que tem sido consistente. Temos uma estrutura de futebol que dá todo o apoio, uma diretoria que trabalhou para que o jogo seja aqui, nossos torcedores… Sem eles, hoje, era impossível a virada.
“Eles fizeram a parte deles muito bem feita. Nós, com o empurrar deles, foi o que assistimos em campo hoje. Fomos muito melhores que o São Paulo hoje. No Brasil, jogar em casa ou fora é diferente. Hoje fomos muito fortes”, disse Abel Ferreira, repartindo os méritos.
Palmeiras
Na comemoração do título, Leila Pereira foi muito direta com um conselheiro em relação à importância da renovação antecipada do contrato do treinador até o final de 2024.
“Foi o nosso melhor investimento. A renovação deu confiança aos jogadores. Eles souberam que o trabalho seria mantido.”
Abel não estava interessado em dissecar táticas após a goleada que valeu o título.
Ele estava celebrando, feliz, a alegria dos palmeirenses.
“Eu sou muito feliz em fazer os outros felizes! Eu vejo nossos torcedores festejando e compartilhando a alegria deles comigo.
“É meu lema de vida: sou muito feliz em fazer os outros felizes!
“Deus me dá em dobro do que dou aos outros.”
Sob o comando de Abe Ferreira, o Palmeiras acumulou nada menos do que R$ 447,5 milhões, em premiações, com as nove finais.
E cinco conquistas.
O título ontem valeu R$ 3,5 milhões da Federação Paulista de Futebol.
Mais R$ 4 milhões da patrocinadora Crefisa…
Fonte: Esportes R7




