Morte de Diego Maradona ainda é cercada por mistério e acusações

Magali Druscovich/Reuters – 25.11.2020
Diego Maradona teria de ser controverso mesmo após a sua morte. Um ano depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória fatal, completado nesta quinta-feira (25), o mais puro anti-herói é cercado de mistérios e acusações da Justiça da Argentina. Ao todo, sete profissionais de saúde foram indiciados por homicídio com dolo eventual.
Nesse tipo de homicídio, há o entendimento da pessoa que as suas atitudes podem resultar na morte de outra. Todos os indiciados estiveram com o ídolo, que havia completado 60 anos 26 dias antes, pelo menos nas últimas 12 horas antes da sua agonizante morte, como retrataram os peritos convocados pelo Ministério Público para maior entendimento do caso.
O trabalho da perícia, realizado em abril deste ano, concluiu que a equipe que cuidava de Maradona teve um trabalho “irresponsável e inadequado”. Para eles, depois da cirurgia para diminuir o hematoma no cérebro, era prudente deixá-lo mais tempo internado e, se recebesse alta hospitalar, não fosse “abandonado à própria sorte”.
As palavras fortes sobre as últimas horas de vida do eterno camisa 10 comoveram os familiares, que ainda buscam respostas para a morte. Mais do que isso, uma legião de fãs do campeão mundial em 1986 quer a punição dos responsáveis — protestos na capital Buenos Aires e uma enorme comoção em todo o país estão inclusive previstas para esta quinta.
Nesse contexto aparecem o neurocirurgião Leopoldo Luciano Luque e a psiquiatra Agustina Cosachov. Os dois são acusados de principais responsáveis pela morte do ídolo mundial. Caso sejam condenados, eles podem pegar de oito a 15 anos de prisão.
Além das questões de saúde, o nome, mais precisamente as marcas ligadas a Maradona, atualmente estão de posse de Matías Morla, advogado e ex-agente do ídolo. Segundo a imprensa argentina, 147 marcas relacionadas ao ex-jogador pertencem a Morla. As filhas Dalma e Giannina, e a ex-esposa Claudia, alegam irregularidades no registro. Segundo os familiares mais próximos, Morla e Luque teriam acordos em comum.
Maradona foi velado na Casa Rosada, sede do governo argentino, no dia seguinte a sua morte. De lá, foi levado em cortejo até o cemitério Jardim Bella Vista, na periferia de Buenos Aires. Boca Juniors e Napoli, times pelos quais jogou, além do Gimnasia y Esgrima, últimos equipe em que atuou como treinador, são os que mais prestam homenagens ao El Diez.
Tratamento inadequado no hospital
Os peritos não foram capazes de afirmar que Maradona não teria morrido se tivesse um tratamento adequado. Ainda assim, discordaram da alta hospitalar recebida dias antes da morte. O tratamento psicológico deveria ser acompanhado da recuperação patológica.
Sofrimento antes da morte
Ainda segundo os peritos, os últimos momentos do ídolo argentino foram agonizantes. Os sinais de risco de vida foram ignorados pela equipe médica desde pelo menos 12 horas antes do óbito.
Acompanhamento ineficaz em casa
Uma vez em casa, esperava-se que a assistência de enfermagem contratada fosse mais eficiente. Os profissionais que lá atuaram, no entanto, não tinham sequer o controle dos movimentos do paciente, de acordo com os autos do processo.
Enterrado sem coração
Dias antes da morte completar um ano, o jornalista argentino Nelson Castro, autor do livro A Saúde de Diego, disse em entrevista ao canal argentino El Trece, que Maradona foi enterrado sem coração. Isso por dois motivos: o primeiro dele para proteger o corpo de uma possível ataque dos torcedores organizados e também para esconder a causa da morte. O órgão, segundo o autor, pesava quase o dobro do normal.
O neurocirurgião e a psiquiatra
Leopoldo Luciano Luque, o neurocirurgião que operou o ídolo e se encarregou da internação domiciliar, e a psiquiatra Agustina Cosachov, que chegou a realizar uma ressuscitação cardiopulmonar em Maradona, são os principais acusados no caso. Em diálogo trocado entre eles, Luque escreve: “Parece que o gordo teve um ataque cardiorrespiratório e está para morrer. Não sei o que ele fez.”
Demais profissionais
Carlos Ángel Díaz (psicólogo), Nancy Edith Forlini (médica-chefe), Mariano Perroni (chefe dos enfermeiros), Dahiana Gisela Madrid (enfermeira do dia) e Ricardo Omar Almirón (enfermeiro da noite) foram os demais profissionais de saúde indiciados. De alguma forma, todos eles estiveram com Maradona nas últimas horas do craque em vida.
AFP
Imagem de Diego Maradona se multiplica por murais na Argentina
Fonte: Esportes R7




