Saúde

Mesmo com pandemia, mais de 7,6 mil brasileiros foram detidos ao tentar entrar ilegalmente nos EUA em 2020

O governo dos EUA endureceu as regras para quem tenta cruzar a fronteira
Getty Images

Mesmo em ano de pandemia, 7.621 brasileiros foram detidos pelos serviços de imigração americanos enquanto cruzavam as fronteiras terrestres dos Estados Unidos sem documentos, para construir uma nova vida no país.

Os dados sobre brasileiros detidos no ano fiscal de 2020 (entre outubro de 2019 e setembro de 2020) foram obtidos nesta quarta-feira (14/10) pela BBC News Brasil.

Embora seja uma cifra menor em relação a 2019, quando o número de brasileiros detidos pelo Serviço de Proteção de Fronteiras e Alfândega dos Estados Unidos superou os 18 mil, um recorde, o número de 2020 é quase 5 vezes maior do que o registrado em 2018, quando 1,6 mil cidadãos do Brasil foram apreendidos nas fronteiras.

Em 2020, 94% dos brasileiros detidos nessa situação por autoridades americanas foram encontrados nos arredores da fronteira com o México, especialmente em El Paso (Texas), que em 2019 já se mostrava a principal rota ilegal de acesso de brasileiros ao país.

 

Restrições aos brasileiros

Dados sobre imigração devem ser intensamente explorados pelo atual presidente e candidato Donald Trump

Dados sobre imigração devem ser intensamente explorados pelo atual presidente e candidato Donald Trump
EPA/KEN CEDENO

 

Para chegar à fronteira, parte desses brasileiros teve de driblar as dificuldades de viajar em meio à pandemia de coronavírus e encarar um aumento significativo das restrições dos americanos aos viajantes em geral — e aos brasileiros, em particular.

Embora seja ainda muito inferior ao contingente de migrantes do México ou da América Central, o fluxo de brasileiros indocumentados passou a preocupar autoridades americanas no final do ano passado.

Segundo Mark Morgan, o chefe do Controle de Fronteiras no país, traficantes de pessoas passaram a ver no Brasil uma população interessante a explorar, dado o aumento na dificuldade de levar ao país nacionalidades mais visadas pelas medidas restritivas do governo Trump.

Por isso, desde o fim de janeiro de 2020, o governo americano incluiu cidadãos do Brasil em um protocolo de segurança criado em 2019, que remete automaticamente de volta para o México migrantes indocumentados encontrados pelo serviço de fronteira.

Assim, os brasileiros teriam que esperar por meses em território mexicano pela resposta a um eventual pedido de asilo ou outros procedimentos migratórios americanos.

Antes, brasileiros recebiam uma ordem para se apresentar ao juizado de imigração em uma certa data, mas eram liberados para aguardar no território americano. Na prática, parte desses migrantes jamais comparecia ao juizado.

A mudança aconteceu apenas cinco dias antes de Waldir Ferreira da Silva fazer sua travessia pela fronteira entre o México e o Texas, com a mulher e a filha de 14 anos do casal.

Detido pela imigração, ele esperava poder enfrentar um processo de deportação em solo americano. Seu plano era ir até a Carolina do Norte, onde sua rede de contatos garantia que ele já teria emprego certo e poderia acumular um bom dinheiro, ainda que meses mais tarde fosse expulso dos Estados Unidos.

Não foi o que aconteceu. Como não quis voltar para o México, Silva e a família passaram 16 dias presos pelo serviço de fronteira, até serem embarcados em um voo direto para Minas Gerais. Assim, eles se tornavam parte de um outro protocolo adotado para restringir a entrada de cidadãos do Brasil nos Estados Unidos: a deportação sumária.

Desde o fim de 2019, o governo brasileiro passou a aceitar que os Estados Unidos fretassem voos para remeter ao Brasil cidadãos detidos na fronteira com o México de maneira expressa, sem esperar o processo de imigração ou de asilo. Esse tipo de deportação, em que brasileiros não têm o direito de se apresentar ao juizado, não era adotada pelos americanos desde 2006.

Com a pandemia, a partir de maio de 2020, os Estados Unidos baniram a entrada de qualquer pessoa que tenha estado no Brasil nos 14 dias anteriores à viagem ao país, como forma de evitar a transmissão de coronavírus de um país para o outro.

A interdição é válida ainda hoje e atinge mesmo aqueles que possuem vistos americanos válidos, com exceção de autoridades e cidadãos americanos.

Desaceleração do fluxo e mudança de perfil

Os dados preliminares do órgão americano de Patrulha e Controle de Fronteiras mostram que o contexto internacional de pandemia e as restrições impostas pelos Estados Unidos alteraram o perfil dos migrantes brasileiros e reduziram o fluxo de entrada no país.

Enquanto em dezembro e janeiro do ano passado, o fluxo de brasileiros era contado às centenas por mês, e boa parte deles estavam em família com crianças, como era o caso de Silva, em abril de 2020, apenas 49 brasileiros tinham sido apreendidos na fronteira com o México. Todos eram adultos e estavam sozinhos.

Muro na fronteira dos EUA com o México em San Diego/Tijuana

Muro na fronteira dos EUA com o México em San Diego/Tijuana
Getty Images

Em números gerais, em abril de 2020, apenas 16 mil pessoas foram encontradas por autoridades americanas tentando migrar ilegalmente, um número considerado extremamente baixo para os padrões de migração da região.

Os dados de setembro de 2020, no entanto, apontam para uma clara retomada do movimento, com 58 mil pessoas detidas no período.

No total, 402,8 mil pessoas sem documentos tentaram entrar nos Estados Unidos no ano fiscal de 2020. O número representa uma queda de 65% em relação ao total de migrantes ilegais apreendidos em 2019. Considerados apenas os brasileiros, a queda na entrada de 2019 para 2020 foi de 58%.

Os dados devem ser intensamente explorados pelo atual presidente e candidato à reeleição Donald Trump. Parte da plataforma política do republicano é limitar a imigração ao país. Em 2016, ele havia prometido a construção de um muro em toda a fronteira entre México e Estados Unidos.

Embora apenas trechos da obra tenham sido feitas, os números de 2020 serão um trunfo para a campanha de Trump a 20 dias das eleições presidenciais.

Fonte: Saúde R7

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