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'A cultura é nossa tecnologia de ponta', afirma Duvivier

Em entrevista ao CORREIO, o ator, escritor e produtor Gregório Duvivier contou um pouco sobre sua peça Sísifo, que será apresentada neste sábado (12) e domingo (13) no Teatro Castro Alves. 

O próprio título remete à ideia que o ator e o diretor Vinícius Caldeironi buscam apresentar. O Sísifo é um antigo mito grego que, resumidamente, descreve o castigo de um homem que, diariamente, empurra uma grande pedra morro acima e assiste a rocha descer de volta. Depois, repete a ação mais uma vez. Eternamente.

No mesmo formato da peça, revelou ter uma preferência pelo gêneros do esquetes, lembrando das referências que tirou de crônicas e charges que lia na infância. O carioca, formado em Letras na Puc, também conversou com a reportagem sobre sua carreira, que passa pela internet, televisão e, claro, o teatro.

Com opiniões firmes e muito ativo no campo político, Duvivier também falou sobre o atual momento da cultura no Brasil e sobre a produção de teatro no país. Pai de Marieta, de três anos, contou como é seu papel de pai e como concilia com a vida profissional, de gravações e viagens. 

Confira a entrevista completa:

Este é seu primeiro trabalho com o diretor Vinícius Caldeironi. Como surgiu essa parceria?
Duvivier: Eu e o Vinícius queríamos trabalhar juntos. Ele é um diretor muito legal da minha geração. Queríamos falar de muitas coisas ao mesmo tempo e tínhamos que decidir como falar disso. E teatro é um bom lugar para fazer essa psicanálise, de como reunir e botar tanta coisa que queríamos falar em cima do palco. 

Sísifo faz uma referência aos gifs da internet, de que forma eles aparecem no palco?
Duvivier: Acho que o gif, mais que uma referência específica da internet, é um conceito que cada um de nós está preso. São 60 personagens mergulhados dentro de algum ciclo. Por exemplo, desde um ambulante na praia repetindo seus bordões até Moisés tentando convencer os hebreus que não está perdido. Você tem toda uma gama de personagens tentando sair de algum labirinto no qual ele se meteu. São pessoas tentando fugir da repetição. As histórias não estão conectadas, mas é isso que une todos os personagens.

E como você lida com esses ciclos na sua vida?
Duvivier: Todos nós lidamos com isso. A repetição é do cotidiano, e por isso que Sísifo é muito identificável. Todo dia a gente dorme e acorda, então o ser humano experimenta todo dia esse Sísifo de descer e subir montanha. O ator também, porque ele constrói algo para depois demolir. Porque quando acaba a peça não sobra nada senão a memória. 

“O barato da vida é transformar sua subida da montanha em algo prazeroso”. 

Apesar de ser uma comédia, a peça traz um tom muito reflexivo, certo?
Duvivier: Aos poucos, o público vai ficando sombrio ao longo da peça. É uma comédia que fala de suicídio, de questões muito trágicas.

Assim como o espetáculo, a maioria dos seus trabalhos são feitos em esquetes. É um gênero que prefere trabalhar?
Duvivier: Eu adoro o formato curto de esquete. Você tentar falar coisas e abordar temas complexos em um espaço curto de tempo é muito desafiador. Sempre li muita crônica, tirinha de chargista, e sempre assisti esquete na TV. Fui um espectador desse formato. Então foi muito natural escrever pra Folha [o jornal Folha de S. Paulo]. Novos leitores começam a ler com a crônica. Ela é uma porta de entrada para outras drogas e isso que me atraiu.

Peça tem no palco apenas uma gangorra, que simboliza o início e fim de cada cena (Foto: Elisa Mendes / Divulgação)

A peça fez uma pequena turnê em Portugal. O que mudou das apresentações de lá para as que foram feitas no Brasil?
Duvivier: É uma peça que fala das contemporaneidades. Do sentimento contemporâneo que a gente compartilha. Logo, ela vai ser transformada à medida que a gente faz. O sentimento continua, mas a experiência acaba tendo um pouco do nosso dia a dia. E lá foi comovente ver como eles acompanham tudo do Brasil, eles têm um interesse muito grande, um carinho por nós aqui. É a quarta ou quinta peça que viajo o país assim. A cada cidade, o público diz muito dali. É muito prazeroso descobrir um país ou estado através do seu público.

“O que muda é na leitura de quem vê. A mesma peça muda em lugares diferentes”, diz o artista sobre a turnê fora do país

E sobre a produção de teatro aqui no país? Tem acompanhado?
Duvivier: Se produz muita coisa boa aqui, mas tô meio por fora do que tem acontecido nos último três anos por conta da gravidez e nascimento da minha filha. Mas gosto de lembrar que teatro tem a função fundamental que é reunir as pessoas. Cada um cria sua narrativa no celular, mas o teatro conta uma história para todo mundo, unindo pessoas em uma só história. Por isso que ele continua vivo. 

Acredita que a atual conjuntura política no país tem impedido novas produções de qualidade (dentro e fora do teatro)?
Duvivier: Acho que já vem sendo. O Brasil tem uma vocação gigantesca para a cultura. A cultura brota das ruas aqui, sempre brotou. É muito fundamental que tenha um Estado que entenda a função estratégica da cultura, e hoje o Brasil criminaliza quem trabalha para transformar nosso país num lugar mais digno, que vende nossa cultura pro mundo. 

“Nossa contribuição pro mundo foi a nossa cultura, música, obras literárias, nossa dança e teatro. A cultura é nossa tecnologia de ponta, onde a gente brilha. E é aí que nosso presidente pisa na bola e vê a cultura como inimiga do povo. É triste que o governo não perceba isso, que nosso maior ativo não é a soja ou nióbio, é a cultura do povo”. 

Depois de quase três meses do ataque à sede do Porta dos Fundos, como enxerga o episódio? [NR: Em dezembro, a sede do canal Porta dos Fundos, no Rio, foi atacada. A polêmica surgiu depois do lançamento do especial de Natal do Porta, que colocava na história Jesus como um perosnagem homossexual] 
Não existe humor com medo. O medo é o principal inimigo do humor. O Porta sempre foi o nosso grande ativo e a qualidade primordial é a liberdade. Então, a liberdade é inegociável. Quando não puder fazer humor com liberdade, vamos parar. Continuamos iguais e mais fortes do que nunca.

Duvivier durante o Greg News, em 2017 (Foto: Divulgação)

O Porta dos Fundos tem a característica de sempre renovar o elenco, isso ajuda a se manter atualizado como um canal de humor?
Duvivier: Total.  A gente é muito comprometido, é surpreendente. A gente tenta não perder o frescor, e uma das formas é trazer gente nova. Isso também serve para o roteiro, porque temos três roteiristas novos. Abrimos para novos roteiristas e recebemos muitas coisas legais fora do eixo Rio-São Paulo.

Desde que mergulhou no universo da arte, o que mudou? Está muito diferente?
Duvivier: Muito. Era outra época. Comecei no Tablado [escola de teatro carioca] nos anos 90. Era um outro humor. Foi um aprendizado entender que o humor nunca pode ser fácil. E o humor tem tantas tentações, como a piada velha, piada dos outros, reciclada… e o grande desafio é criar material novo. Por isso precisa treinar o olhar. 

As piadas estão no mundo, que muda e as piadas surgem novamente. Humorista tem que tá com as antenas ligadas, e esse foi meu grande aprendizado: deixar de imitar as pessoas que admirava, como o Casseta e a Fernanda Torres.

“Com o tempo, fui vendo que eles são brilhantes, mas você precisa achar sua própria graça e isso é um processo pessoal”, sobre suas referências no humor.

Além do trabalho, você é pai de uma menina de três anos. Como é passar por essa fase? 
Duvivier: É muito louco. Nada do que você lê adianta muito. O que mais aprendi é que quanto mais tempo você passa, melhor pai você é. Acho que quanto mais tempo e mais íntimo você fica, mais você sabe falar a língua dela, que você tem que aprender. A paternidade está ligada a quantidade de tempo e tem que ser o máximo possível. Tô mais devagar, viajo com ela pra fazer a peça e a Giovana [esposa de Duvivier] é muito parceira. Ela faz parte do nossos planos, um bebê não vem para atrapalhar. Ao contrário, é o plano principal. Meu plano de vida é a paternidade, não tenho problema em dizer isso.

O rosto que representa a cultura no governo agora é o de Regina Duarte. Ter alguém da classe artística nessa posição é um alento?
Duvivier: Acho que Regina, se algum dia foi uma artista, já faz tempo que não é. Se transformou em um soldado dessa religião perversa que é o bolsonarismo. A favor da censura contra o Porta. Ela compactua com toda a podridão desse governo. Não conheço ela como um par, como um alento. Ela está em um governo que é contra a profissão dela. Como que vai fazer algo de bom? É como um boi trabalhar no frigorífico. Não tem como dar certo.  

Quais os planos para 2020?
Duvivier: Tenho o Greg News, seriado Futuro Ex Porta [reality para selecionar um novo ator para o grupo] e a peça. Além da paternidade, que hoje é integral. 

Fonte: Correio

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