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Motim no Ceará trouxe medo de assaltos e de volta da PM

No bairro mais rico de Fortaleza, o medo levou moradores a evitarem sair de casa para driblar os criminosos que roubavam à mão armada em plena luz do dia. Já no mais pobre, não houve escolha: a violência fez de escolas a igrejas fecharem e impôs uma espécie de toque de recolher. Por lá, a volta da polícia ao trabalho não é sinônimo de segurança.

Logo após o fim da paralisação, a reportagem esteve no bairro Conjunto Palmeiras, que tem o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da cidade, com pontuação de 0,119. Também visitou o bairro Meireles, com o melhor IDH, 0,953. A classificação vai de 0 a 1. Os dados são do IBGE, de 2010.

Nos dois bairros, a presença da PM ainda era tímida e o Exército já não estava nas ruas -mesmo que o presidente Jair Bolsonaro tenha determinado o fim da operação só um dia depois, na quarta-feira (4).

Na orla da praia de Meireles, a clientela sumiu dos quiosques, diz um casal dono de um deles. Eles –que tiveram os nomes trocados a pedido nesta reportagem–, calculam que o lucro caiu pela metade.

“Quem vai vir para um estado com toda essa violência, com tanto roubo? A gente depende do turismo. Antes, tinha praia cheia, agora estamos às moscas”, diz Sílvia Ramos, 47.

No dia em que a polícia parou, quem estava por lá diz ter visto homens pichando muros com as letras da facção cearense GDE (Guardiões do Estado).

E, mesmo com o Exército a uma quadra dali, os donos da barraca viram assaltos violentos. Num deles, “puxaram e arrastaram a mulher pelos cabelos para conseguir arrancar o cordão, tirar a bolsa, levaram tudo”, diz Sílvia.

“Eles [os criminosos] sentavam aqui na mesa [da barraca] para usar crack, maconha. Pediam comida à beça e no final não pagavam. A gente vai fazer o quê? Vai correr para onde? Ligar para quem?”, diz Márcio Ramos, 45.

Naquela manhã, o casal de aposentados Adilson Soares, 68, e Maria da Glória, 68, caminhava pela orla de frente ao apartamento em que moram há cinco anos, desde que vieram do Rio de Janeiro.

A sensação dos dois é que a segurança piorou no período. “Mas também, tem gente que quer ostentar. Com cordão de ouro, celular de primeira linha. Eu venho caminhar sem nada, até o documento é xerox”, diz Adilson.

A professora aposentada Iolanda da Costa, 79, que vive no bairro há 28 anos, não saiu de casa durante o Carnaval. “Nós, idosas, não podemos usar nem uma bolsa, um brinquinho bonito. Tem que ter muita fé em Deus. Torço para os bandidos se converterem”, diz ela.
Iolanda culpa o governo de Camilo Santana (PT) pela piora da violência e elogia a ajuda enviada por Boslonaro.

Já no Conjunto Palmeiras, conhecido por ser o bairro onde nasceu a GDE, às 19h já havia uma espécie de toque de recolher. Nas paredes o aviso é claro: “Ao entra tire o capacete e abaixe os vidro [sic]. Ou então vai levar bala”.

No Ceará, além da GDE, há o CV (Comando Vermelho) e, em menor número, o grupo paulista PCC (Primeiro Comando da Capital), aliado do primeiro grupo, e a amazonense FDN (Família do Norte), que se une ao segundo. Por ali, entrevista só com a promessa de que suas identidades não serão relevadas.

A área onde está o Conjunto Palmeiras foi a segunda da cidade com mais homicídios em fevereiro: 23 assassinatos, todos com arma de fogo. Já na região do Meireles foram seis.

Também é o bairro com o maior número de pessoas em situação de extrema pobreza. A renda média mensal é de R$ 239,25. No Meireles, os moradores ganham em média 14 vezes mais: R$ 3.360, segundo o IBGE.

Após um assassinato em frente a um colégio, várias escolas começaram a suspender aulas por lá. Até igrejas cancelaram missas e cultos à noite.

Foi a primeira vez também que os moradores viram o supermercado local fechar as portas. “Esse mercado nunca fecha, nem com enchente nem quando o depósito pegou fogo”, diz a administradora Marcela Moraes, 35, que vive no Conjunto Palmeiras desde 2002. “Antes [do motim], existia um certo respeito. Agora, eles não estão respeitando nem dentro da favela.”

A volta da polícia, no entanto, não é sinônimo de segurança, mas de medo. “A gente não tem relação com a polícia. Não se sente protegido também, com as abordagens violentas, tiroteios”, diz Marcela.

No conjunto José Euclides, do Minha Casa Minha Vida, próximo do Palmeiras, o primeiro dia de volta da PM foi de truculência. Era 13h de segunda-feira (2) quando os agentes invadiram o prédio para cumprir um mandado de prisão, ameaçaram os moradores e arrombaram apartamentos.

“As políticas de segurança do Camilo Santana só aumentaram as ações truculentas da polícia. A polícia na avenida Beira Mar é diferente da que está na periferias, que bate, mata”, diz a servidora pública Adriana de Almeida, 48.

Adriana compara o ocorrido com os dias em que as facções pararam o Ceará, em janeiro de 2019, em represália a mudanças feitas pelo governo estadual nas penitenciárias. “Eles queimaram ônibus, tocaram o terror, mas as mortes caíram. Agora, não, foi uma matança.”

O local vive intensa disputa entre as facções. Mas, desta vez, na periferia multiplicam-se os relatos de que homens encapuzados teriam sido responsáveis por parte dos assassinatos, o que não é prática dos criminosos faccionados. A desconfiança dos moradores seria de que policiais estejam envolvidos.

Integrantes da cúpula da segurança pública trabalham com a hipótese de que, durante o motim, houve recrudescimento nas disputas por território e acertos de contas, mas não descartam que possa ter envolvimento também de grupos de extermínio com policiais da ativa e da reserva.

A PM fala em cerca de 200 agentes parados durante 12 dias, mas policiais dizem que houve colegas que apoiaram sem se amotinar, mas também sem trabalhar efetivamente.

Os homicídios aumentaram 178% em fevereiro, quando comparado com 2019. Foram 456 assassinatos contra 164 de fevereiro de 2019. O índice foi alavancado pelos 12 dias de motim. De 19 de fevereiro a 1º de março, foram registrados 312 homicídios.

Os roubos cresceram 95%, com 6.507 ocorrências do tipo registradas. Já os roubos de carga, a residência, de veículos e de bancos foi ainda maior: 168,3% a mais do que no ano passado, ou 1.280 casos. Os furtos subiram 15% em relação a fevereiro de 2019, com 4.902 casos, segundo a Secretaria de Segurança Pública.

Fonte: O Tempo

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