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Hospital Aliança vai ganhar nova torre e terá ampliação significativa em número de leitos

Nos próximos três anos, o Hospital Aliança deverá ganhar uma nova torre de apartamentos. A “ampliação significativa” na quantidade de leitos é a principal consequência da aquisição de 80% do hospital pela Rede D’OR São Luiz, anunciada ontem. O grupo carioca, que já detêm participações nos hospitais São Rafael e Cardiopulmonar aqui na Bahia, informou ter realizado um investimento de R$ 800 milhões no Aliança. 

Fundado em 1990, o Hospital Aliança possui atualmente 203 leitos, 1.624 funcionários, 180 médicos contratados, além dos 1,5 mil credenciados e dos aproximadamente 200 que ocupam os 77 consultórios disponíveis no complexo. A direção do grupo Aliança, que permanece como proprietária do imóvel, acredita que o negócio com a rede D’OR São Luiz vai permitir aos baianos o acesso aos mais complexos procedimentos de saúde sem precisar deixar o estado. 

No ano passado, a unidade de saúde teria faturado R$ 440 milhões, de acordo com informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico. O último dado oficial é de 2018, quando a unidade encerrou o ano com um faturamento de R$ 400 milhões. Desde que o fundador do Hospital Aliança, Paulo Sérgio Tourinho, faleceu em 2018, cresceram os rumores quanto a uma possível venda da unidade. 

Segundo o superintendente do Aliança, Albérico Mascarenhas, a maior expectativa a partir do negócio é de uma ampliação no volume de serviços que é oferecido atualmente pela unidade. “Estamos fechando um contrato com uma rede que tem um padrão de qualidade reconhecido e que vai trazer um ganho neste sentido para nós, além da ampliação do serviço. Eu acho que isto é o mais relevante nesta operação e o principal ganho”, analisa.

Nova torre
Pelo acordo anunciado, está prevista uma ampliação do hospital, com a construção de uma nova torre de apartamentos. “. Com isso, a Bahia ganha um hospital mais arrojado e moderno, num conceito muito elevado de hotelaria e de qualidade, que são características nossas e da Rede D’OR. O terreno onde se encontra o hospital tem um total de 55 mil metros quadrados (m²), com 34 mil m², então existe espaço para uma ampliação lá mesmo, acredita Mascarenhas.  

“Vai aumentar bastante, mas não posso precisar em quanto porque o projeto ainda não está finalizado e implica em um estudo de mercado e uma definição do tipo de serviços que vão ser oferecidos. O que posso dizer é que deve estar acontecendo até 2023”, projeta.  

A operação deve trazer impactos positivos tanto para quem precisa dos serviços da rede de saúde na Bahia, quanto para os profissionais da área, acredita Mascarenhas. “Teremos um hospital maior, com mais leitos, e vai ser necessário mais gente para trabalhar. Outro aspecto importante é que o hospital vai passar a oferecer um leque de serviços maior. Com isso, ninguém vai precisar sair da Bahia para fazer nenhum tipo de tratamento fora, por mais complexo que ele seja”, acredita. 

“Não foi simplesmente uma negociação comercial, mas houve uma preocupação em melhorar cada vez mais a qualidade do hospital com a associação a um grupo muito sério”, destaca. 

Rede D’OR
A Rede D’Or tem cerca de 50 hospitais espalhados por Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Pernambuco, Maranhão e Bahia, que juntos somam aproximadamente sete mil leitos. Atualmente, o grupo, em Salvador, tem participação no Hospital São Rafael e no Cardio Pulmonar.
No final do ano passado, foi inaugurado o novo Hospital Cardio Pulmonar, que recebeu investimentos de R$ 200 milhões, usados para triplicar a quantidade de leitos, além de ter aumentado em seis vezes o total de área construída. 

A conclusão do negócio está sujeita, dentre outras condições, à aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Durante o período de análise da Operação pelo CADE, as companhias continuarão operando de forma independente. 

Saúde liderou aquisições e fusões em 2019
O setor de saúde liderou o movimento de fusões e aquisições no Brasil em 2019 e deve voltar a ter papel de destaque agora em 2020. No ano passado, foram registrados pelo menos 80 negócios no Brasil envolvendo operadoras, hospitais, clínicas e laboratórios. Este fi o maior volume de transações desde 2000, segundo dados compilados pela consultoria KPMG, divulgados pelo jornal Valor Econômico. 

Grande parte das fusões e aquisições foram comandadas por operadoras de saúde, como a Hapvida e a NotreDame Intermédica. Mas teve também participação da rede D’OR, que se destacou na diversificação das suas operações. Em agosto, o grupo hospitalar adquiriu 10% da Qualicorp, tornando-se um dos maiores acionistas da empresa líder em planos de saúde por adesão. A Rede D’Or também é dona de uma corretora de planos de saúde corporativos com cerca 1,8 milhão de clientes, uma empresa de banco de sangue, laboratório de medicina diagnóstica e clínicas oncológicas.

O presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (Ahseb), Mauro Duran Adan, acredita que o movimento de fusões e aquisições que vem se registrando na Bahia nos últimos anos segue uma tendência que é nacional. “Este é um movimento que vem se registrando no setor há pelo menos oito anos, mas que está se acelerando nos últimos anos”, explica

“Na Bahia, isto já vinha acontecendo em outros segmentos da saúde, mas não no hospitalar. Tivemos muitas notícias envolvendo laboratórios e clínicas de diagnósticos, empresas de imagem, oncologia e oftalmologia, por exemplo”, lembra. 

Segundo ele, os primeiros movimentos do tipo no segmento hospitalar começaram a ser registrados em 2014, com o hospital Jaar Andrade, que foi vendido, e mais recentemente, desde 2018, isso vem  se intensificando. “Tivemos a aquisição do Hospital São Rafael, uma questão com a Cardio Pulmonar e agora com o Hospital Aliança, dependendo apenas da confirmação do Cade”, lembra.

Mauro Duran Adan acredita que o mercado baiano está passando por um momento de arrumação. “É bom que o mercado baiano seja desejado, desperte o interesse de grupos nacionais, temos deles já atuam aqui, com grupos locais que desenvolvem seus negócios. Essa é uma convivência que o próprio mercado vai aprender a lidar”, acredita. 

O presidente da Ahseb destaca o desafio que o setor de saúde suplementar tem na Bahia. “Nós precisamos assistir a população com qualidade e a um preço justo”, diz. Ele lembra que apenas 2,1 milhões de baianos, numa população total de quase 15 milhões de pessoas, dispõem dos serviços dos planos de saúde.  

Nacionalmente, apenas 25% da população têm acesso a convênios médicos, enquanto os demais 75% são atendidos por uma rede pública que sofre com superlotação. 

Fonte: Correio

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