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Evento discute desafios e oportunidades do setor mineral da Bahia

Quase um terço de todas as receitas do município baiano de Jaguarari são oriundas de royalties pagos pela atividade mineral. Além dessa injeção direta de capital, a produção de cobre da Mineração Caraiba ainda responde por pouco mais de 3 mil empregos diretos e indiretos, além de movimentar toda uma cadeia de serviços. O case da empresa foi apresentado ontem na primeira edição do evento CBPM Convida, criado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) para apresentar o trabalho de empresas do setor na Bahia.

Segundo o presidente da CBPM, Antonio Tramm, o evento, que deve se repetir mensalmente a partir de agora, foi pensado para discutir a atividade e mostrar que a relevância social da mineração. “Estamos encerrando um ano difícil para a atividade por conta do acidente em Brumadinho, mas é hora de olhar para a frente. Temos um relevante trabalho para apresentar. Temos uma relevância social para mostrar”, destacou, durante o evento que aconteceu no auditório da CBPM e marcou o aniversário de 47 anos da companhia.

O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração, Flavio Ottoni Penido, ressaltou a necessidade de a mineração se apresentar melhor para a sociedade. “A atividade já está próxima da sociedade, mas muito do que se faz não é noticiado”, disse. Como exemplo aqui na Bahia, ele citou o projeto da Largo Resources, com a Vanádio de Maracás. “Estive aqui há 30 anos quando a CBPM iniciou as pesquisas. Hoje, quando vamos a Maracás percebemos o tamanho da transformação que a mineração levou para aquela cidade”, afirmou.

Vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, João Leão contou que o governo estadual vê na mineração uma oportunidade para fomentar o desenvolvimento do semiárido e para descentralizar a geração de riquezas na Bahia. “Queremos modificar a estrutura de receitas do estado. Hoje, 77,86% da nossa arrecadação sai da Região Metropolitana de Salvador. A região do Vale do Paranapanema, onde existem importantes projetos para a produção de ferro, responde por 0,004%”, comparou. Segundo ele, o valor arrecadado não paga nem a estrutura de educação da região.

Para ele, os municípios de Brumado, Caetité e outros, no Sudoeste, vão experimentar um acelerado ciclo de desenvolvimento com a produção mineral na região.   

Durante a sua apresentação, o vice-governador fez questão de elogiar o papel que o CORREIO vem desempenhando na divulgação do trabalho da mineração na Bahia. “O jornal tem cumprido um papel fundamental para a mineração. Quando a gente vê um trabalho sendo desenvolvido a favor do desenvolvimento da Bahia, como está sendo feito, a gente apoia. Eu quero deixar aqui os meus sinceros parabéns, em meu nome e no nome do governador Rui Costa”, afirmou.

O presidente do Sindicato das Empresas de mineração na Bahia (Sindimiba) e CEO da Largo Resources, Paulo Misk, destacou a atuação das empresas do setor em áreas carentes da Bahia. “A gente precisa fazer mais mineração, porque a atividade tem tido um impacto muito importante em áreas carentes do estado”, diz. Segundo ele, o Sindimiba está investindo em uma campanha para mostrar à sociedade o que é a mineração na Bahia. “Através de vídeos curtos, vamos mostrar produtos em que o estado se destaca como produtor, ou atividades que são feitas com excelência por aqui”, explicou.

Misk ressaltou que a imagem que aparece do setor é incompatível com a atividade desenvolvida. “A mineração é inovadora e tem uma grande preocupação com a sustentabilidade. Queremos que as pessoas tenham acesso a informação e que discutam isso conosco”, destacou.

Presente ao evento, o presidente da Agência Nacional de Mineração (ANM), Victor Bicca, destacou a qualidade dos estudos minerais na Bahia. “Sem conhecimento, não há progresso e a geologia é um conhecimento elementar”, disse. Ele lembrou descobertas recentes no estado, como os casos do minério de ferro e bauxita. “São descobertas que tem o potencial de alterar a realidade do estado. E a Bahia ainda tem a felicidade de estar melhorando a sua logística”, destacou.

Nacionalmente, Bicca destacou a perspectiva de aumentos na arrecadação da CFEM, os royalties da mineração. “Saímos de R$ 1,6 bilhão em 2017 para R$ 3 bilhões em 2018 e agora vamos arrecadar R$ 4,6 bilhões”, diz. Para o ano que vem, a projeção é de uma arrecadação de R$ 8 bilhões. “Isso é um dinheiro que é praticamente repassado para os estados e municípios onde acontece a produção”, explicou.

O presidente da ANM ressaltou que apesar das dificuldades e da crise provocada pelo rompimento da barragem de Brumadinho, houve avanços no setor. Um dos destaques foi a implantação do protocolo digital, o que evita a necessidade de o empreendedor ir até Brasília para apresentar documentos. A estimativa é de que isso vá gerar uma economia de R$ 20 milhões por ano.  

Perseverança

Um dos palestrantes da manhã, Manoel Valério, diretor da Mineração Caraíba, contou como os investimentos em pesquisa mineral e em melhorias operacionais ajudaram a empresa a superar dificuldades dos últimos anos. Segundo ele, em 2016 a Caraiba tinha uma grande dívida e ainda enfrentou um acidente, sem vítimas, o que levou a empresa a entrar em um processo de recuperação judicial.

Um rio temporário encheu e inundou a mina com oito trabalhadores dentro. Após nove horas de trabalho, a equipe foi resgatava. A partir daí foi necessário o desenvolvimento de um trabalho para “resgatar” a empresa, contou. E a palavra de ordem foi perseverança. “Limpamos a mina, buscamos a licença para funcionar e trabalhamos para manter motivados os 2 mil funcionários. Procuramos passar a ideia de que o desafio era enorme, mas poderia ser vencido”, lembra.

A empresa foi adquirida por um grupo de investidores canadenses e iniciou o seu processo de reestruturação. “Os acionistas compraram a empresa pelo seu potencial”, diz. Pagaram US$ 8 milhões e abriram o capital na Bolsa de Toronto. Foram arrecadados US$ 50 milhões, o que representou a segunda maior operação de abertura de capitais da bolsa canadense.

De lá para cá, a Mineração Caraíba retomou o caminho de crescimento e já recebeu aproximadamente US$ 100 milhões em investimentos – cerca de US$ 20 milhões em pesquisas por ano. Como resultado, o novo projeto da Caraíba já produz mais cobre que a mina principal. E tudo isso traz resultados positivos para o município de Jaguarari e outros ao seu redor. A estimativa da empresa para os próximos anos é de ampliar a operação e consequentemente a distribuição de renda e tributos gerados.

Nas minas da Ferbasa, a expectativa também é de crescimento. A única produtora de ferrocromo do Brasil e maior produtora de ferroligas do país, está investindo em tecnologias para ampliar a produção de cromo, além de outras para tornar a produção mais segura. “Hoje 90% da produção retirada de nossas minas é subterrânea”, contou o diretor de mineração da empresa, Wandeley Lins.

Atualmente, a empresa tem um projeto-piloto para o uso de veículos autônomos, o que permite ampliar o período de operação nas minas, além de ampliar a segurança dos processos. Os primeiros testes foram realizados com veículos de até 3 toneladas, mas hoje já se chegou às 18 toneladas. “O operador pode controlar até três máquinas simultaneamente e sem a necessidade de se deslocar para o subsolo”, diz

Responsável diretamente por todas as etapas de fabricação das ligas, a Ferbasa emprega direta e indiretamente 4 mil pessoas em diversas regiões do estado. “O nosso trabalho é a prova de que a extração de minérios com responsabilidade leva ao desenvolvimento”, avaliou.

Fundador da Ferbasa é homenageado em evento

Fundador da Ferbasa, o engenheiro de minas José Carvalho foi o primeiro homenageado com o Prêmio CBPM de Mineração. Além da empresa , ele foi o criador da Fundação José Carvalho (FJC), que é sócia majoritária da Ferbasa.

O vice-governador João Leão destacou a necessidade de mais empresários com a mentalidade de José Carvalho. “Que surjam outros nomes na mineração baiana com a mesma mentalidade de José Carvalho”, destacou.

Para o diretor da WWI no Brasil, Eduardo Athayde, a oportunidade de conviver com José Carvalho foi enriquecedora. “Tivemos conversas sobre a visão social e empresarial dele. Era alguém que se preocupava com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) antes mesmo que a ONU (Nações Unidas) se preocupassem com isso”, diz.  

O presidente da FJC, Ronaldo Sobrinho, lembrou que José Carvalho doou grande parte de suas ações para a Fundação aos 44 anos, tal o seu comprometimento com o desenvolvimento de ações para a melhoria das condições de vida da população através da educação. Carvalho dizia que “se não existir educação, não teremos nada”.

Fonte: Correio

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