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'O que é problema meu eu assumo'

Na segunda parte da entrevista com o governador de Minas Gerais Romeu Zema, O TEMPO pergunta a ele sobre o caminho percorrido até a chefia do Executivo mineiro, a relação com os deputados da Assembleia Legislativa e suas ambições políticas.

O senhor assumiu o governo com os servidores e os prefeitos cobrando recursos e sem dinheiro em caixa para cumprir todas as obrigações. Logo depois, ao iniciar o ano legislativo, teve dificuldades para lidar com os deputados na Assembleia. Em algum momento passou pela sua cabeça: “O que estou fazendo aqui”?

Realmente, isso foi mais difícil, mas hora nenhuma eu pensei em desistir, até porque receber quase 7 milhões de votos te faz ter uma carga de responsabilidade muito grande, e eu sempre assumi as minhas responsabilidades. Eu saí para estudar fora, em Ribeirão Preto (SP), com 16 anos, sozinho e me autoimpunha um regime militar. Sábado, domingo, feriado, acordava às sete da manhã e estudava até de noite. Eu me sentia com a obrigação de passar num vestibular porque o meu pai tinha a condição de custear o estudo. Eu sempre tive essa responsabilidade, e isso me fez levar com certa tranquilidade e perceber: é questão de tempo para que a Assembleia, a população, o funcionalismo, para que os prefeitos venham a ver que nosso governo é sério, que tem gente competente. Um fato que nos ajudou muito é o (programa) Assembleia Fiscaliza (secretários de Estado e outras autoridades do governo devem comparecer à Assembleia a cada quatro meses para prestar contas), que foi uma iniciativa louvável do Legislativo. Na minha opinião, deveria existir em todos os Estados e há 30 anos.

As pessoas achavam que o Assembleia Fiscaliza iria incomodar o governador…

Quando você tem que prestar contas, é bom, você trabalha melhor. Na empresa, sempre tive que prestar contas do que fazia. E vejo que o meu secretariado está preparado para isso também. Essa iniciativa da Assembleia ajudou muito e provou para os deputados que nós temos pessoas qualificadas e capazes de corrigir os problemas do Estado. Os prefeitos ficaram extremamente antigoverno no início, porque acho que liam na minha testa “Pimentel 2”. Achavam que eu ia continuar procedendo de forma irresponsável. Mas, em fevereiro, no dia 1°, nós começamos a fazer os repasses, e eu falei com os prefeitos: “Podem deixar que o que é problema meu eu assumo. O de vocês, cada um com seu problema”. Não quero quebrar o governo e as prefeituras juntos. Se alguém quebrar aqui, vai ser só o governo. As prefeituras não têm nada a ver com isso. E hoje fico muito satisfeito, porque estou sempre indo ao interior e sou bem-recebido pelos prefeitos, apesar de não ter dado um real para nenhum. Só de saberem que tem um governo sério, que paga o que é de direito deles, os prefeitos têm uma visão diferente do governo.

O seu partido, o Novo, tem três deputados na Assembleia. Deles, Laura Serrano e Guilherme da Cunha defendem o seu governo. Mas o Bartô se porta de maneira diferente, fez críticas pesadas à secretária de Educação, Julia Sant’anna, e disse que a relação dele com o senhor, mesmo sendo ambos do mesmo partido, é zero. O senhor fica incomodado com isso?

Não muito. Tenho relacionamento ótimo com o Guilherme e com a Laura. O Bartô é um tanto quanto imprevisível. Respeito as opiniões do Bartô. Como liberal, não o critico. Cada um tem suas opiniões, apesar que eu não concordo muito com elas. Vejo que a maioria do partido não está satisfeita com a postura dele. Na minha opinião, ele tem procurado mais palanque do que solução. Sou uma pessoa que corre muito atrás de resolver problemas, independentemente de estar aparecendo ou não.

Durante a campanha, o senhor citou algumas posturas no setor público com as quais não concordava, como o pagamento de jetons e o uso de aviões do Estado. No entanto, no governo, teve que recuar desse posicionamento e fazer uso deles. Faltou conhecimento ao senhor das dificuldades de se cumprirem essas ideias?

Sempre fui contrário e continuo sendo. Depois que assumi o governo, realmente vi que seria inviável nós trazermos secretários para ganhar R$ 8.000 por mês. Hoje, um secretário do governo de Minas ganha menos do que secretários em muitas prefeituras do Estado. E nós trouxemos várias pessoas de peso que deixaram as suas cidades, as suas regiões e vieram para cá. E, realmente, faltou informação da minha parte. Eu supunha que nós conseguiríamos com mais facilidade. Erramos nisso, eu reconheço. E lembrando que nós reduzimos de 21 para 12 secretarias e, mesmo assim, nós não temos nenhum secretário que esteja em algum conselho e que não tenha capacidade para tal. Todo secretário que está num conselho está muito bem preparado para estar lá. Não foi um favor feito a eles. Um ponto que eu ainda diria é que não tem ninguém aqui de secretário acumulando e ganhando salários astronômicos em três, quatro conselhos. Quando muito, estão em dois conselhos, exatamente para terem um nível salarial que os mantenha aqui. Sobre os voos, eu sempre critiquei a farra dos voos que havia em Minas e diria que estou cumprindo o que falei, porque, se pegar o que o último governador voava e eu voei, estamos falando de uma redução de 80%. Meu filho voou comigo duas vezes, porque ele mora em São Paulo. Eu o vejo, a cada 60, 90 dias. Coincidiu de eu ter agenda em São Paulo e ele estar retornando. Eu não ia colocá-lo em outro avião ou em um carro e ir separado dele, sendo que coincidiram as datas e fico tão pouco tempo com ele. Olhei o preço da passagem, preenchi uma guia de arrecadação e ressarci o Estado. Ele voou comigo duas vezes. Nas duas vezes, eu fiz o ressarcimento. Todos os meus voos foram única e exclusivamente a trabalho e levando pessoas que trabalham aqui ou deputados estaduais ou autoridades federais. Lembrando que hoje o governador não tem mais a aeronave à disposição como antes. Eram sete. Nós vendemos algumas, e as outras estão com uso compartilhado com as forças de segurança. Agora, hora nenhuma na campanha eu falei: “Não vou usar avião”. Eu falei: “Quero acabar com a farra dos voos”. O pessoal que mora no Mangabeiras sabe muito bem. Não existe helicóptero descendo e subindo lá duas ou três vezes por dia, nem na Cidade Administrativa. Meus deslocamentos na região metropolitana são feitos em 98% das vezes de carro. Só vou de helicóptero quando é humanamente impossível atender a dois compromissos importantes em pouco tempo.

O senhor é um defensor das privatizações das empresas públicas, principalmente Cemig e Copasa. Até cita o contexto das privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso para mostrar como os serviços melhoraram na área de telefonia. É a solução, mesmo a Cemig apresentando lucro acumulado de R$ 2,6 bilhões neste ano?

É a solução. Eu falo que lucro tem seu peso realmente, mas não quer dizer que a empresa seja adequada para o Estado. Vamos dizer que você tem um imóvel que está alugado para um terceiro e te proporciona uma renda de R$ 10 mil por mês. Você vender esse imóvel e acabar com o dinheiro mensal não seria bom. E, se você vender esse imóvel e aplicar esse dinheiro em outro imóvel que vai te dar R$ 15 mil de aluguel por mês? Será que é bom perder os R$ 10 mil? Eu te diria que é bom, não é? Você está trocando R$ 10 mil por R$ 15 mil. O que nós queremos fazer no Estado é isso. Em Minas faltam estrada, ponte, hospital, uma série de infraestruturas que poderiam dinamizar a atividade econômica e iriam gerar de retorno para o Estado um valor muito maior que o lucro da Cemig. E lembrando que a Cemig hoje é uma estatal que, apesar de dar lucro, tem uma geração de caixa insuficiente face aos investimentos que ela deveria ter feito e estar fazendo agora. O último governo, notoriamente, distribuiu muito mais dividendos que deveria e ainda antecipava ICMS. Ele exauriu a empresa e ainda colocou um cabide de emprego gigantesco lá dentro. Ela perdeu a capacidade de investimento. Sempre que eu ando no interior do Estado, e mesmo aqui, na região metropolitana, uma das reclamações mais repetidas que escuto é: eu queria investir, não investi porque a Cemig não me conecta; o meu negócio está sendo tocado parte do dia com gerador a diesel, a indústria tal queria instalar aqui na cidade e não veio porque a Cemig pediu dois anos de prazo. Não tenho ideia do que já perdemos de empregos aqui em Minas Gerais por esse fator Cemig. E a quantidade de projetos de energia fotovoltaica que nós temos engavetados, que a Cemig não consegue conectar, nós poderíamos estar produzindo… nós já somos o maior gerador de energia fotovoltaica do Brasil disparado, poderíamos talvez estar produzindo o dobro ou o triplo se a Cemig nos últimos anos não tivesse impedido os investimentos. 

Pensando no lado social, uma empresa privada teria interesse em gastar muito para poder atender locais que hoje se gastaria mais na instalação do que seria arrecadado de consumo?

Existe hoje alguma pequena cidade de Minas que não tenha telefonia celular? Foi colocado na privatização que elas (as empresas) têm que estar presentes nessas localidades. Caso contrário, elas pagariam uma multa superior ao que teriam que investir. É só fazer uma processo adequado, bem feito, bem planejado, que você consegue. Às vezes eu fico surpreso com a reação dos próprios funcionários da Cemig que são contrários. Imagina a Cemig, recebendo R$ 20 bilhões de investimento. O que ela iria fazer nos próximos três anos? Isso pra quem está lá dentro seria a oportunidade de crescer profissionalmente. E nós temos que lembrar que o governo federal tem uma legislação em que, se a empresa não for privatizada, ela vai perder um valor gigantesco nos próximos anos, porque como estatal, ela tem de pagar pela renovação dos contratos das usinas hidrelétricas um valor muito maior do que ser for privatizada. Então, hoje, a Cemig vale R$ 20 bilhões. Queremos que ela ainda aumente de valor. Se ela ficar na mão do Estado, daqui a quatro anos pode ser que ela venha a valer 10%, 20% disso. Temos que acompanhar a legislação federal, que demanda a privatização. Não é uma questão ideológica nem partidária, é questão do que é melhor para o Estado e para a empresa.

O senhor se apresenta como um liberal. A gente vê muitas vezes os liberais renegando o que é o Estado. Não seria talvez a solução do meio do caminho, entre a negação do Estado e a presença de um Estado forte? 

Tenho plena ciência da importância do Estado. Não dá para o Estado deixar de fazer as suas principais atribuições: segurança, saúde, educação e parte da infraestrutura que cabe a ele. Só o que nós queremos combater é um excesso de intervencionismo e de privilégios. No Brasil, nós temos cidadãos de primeira categoria e de segunda. Com todo mundo com quem eu já trabalhei no setor privado ninguém nunca teve férias de dois meses. Por que no setor público tem gente que tem férias de dois meses? Por que tem gente que tem um punhado de penduricalho? Você tem bolsa-livro, bolsa-creche, bolsa-escola? Não tem. Então, eu sou contrário a isso. Na minha opinião, quem trabalha no setor público tem que ser remunerado adequadamente, mas sem privilégios. No Brasil, algumas categorias do setor público e algumas do privado sempre usaram o Estado em benefício próprio. O Estado no Brasil sempre foi, de certa maneira, manipulado para privilegiar algumas categorias públicas e privadas. Eu quero que o Estado reverta serviços para quem paga impostos, e todos pagam. O pobre, muitas vezes, paga até mais. Outro dia mesmo fui a um lugar. Estava de carro, parado e vi uma senhora comprando alimento e devolvendo parte porque o dinheiro não deu. Você via claramente que ela estava levando menos do que gostaria para os filhos pequenos. Isso ocorre porque nós pagamos impostos demais. Se fosse menos caro o alimento, ela teria levado coisa que a atenderia melhor. Então, que fique claro, eu tenho ciência (da importância do Estado). E não sou nenhum extremista. Sou totalmente contrário ao socialismo ao extremo e ao capitalismo ao extremo. Precisamos ter um Estado que regulamente, que dê certa segurança. E o Estado é importantíssimo na atividade econômica numa época de recessão. Numa época de recessão, ele tem que gastar mais do que arrecada, pra fazer aquela questão da atividade anticíclica, fazer a economia se recuperar. Agora, em tempos normais, o Estado tem que estar acumulando poupança para poder, quando chegar uma época difícil, ele fazer o papel dele. E no Brasil nós nunca tivemos essa responsabilidade. 

O jornal O TEMPO fez um levantamento que mostrou que os gastos do governo do Estado, neste ano, com saúde e educação, são os menores desde 2013 e 2015, respectivamente. Como o senhor pode explicar isso, já que diz que saúde e educação são investimentos prioritários ao Estado?

Para manter sua casa limpa, organizada e até cheirosa, você não precisa gastar dinheiro. Precisa arregaçar as mangas, passar pano e gastar um pouco de água e sabão. E aqui, no Estado, havia muita coisa desnecessária. Nós vamos ter agora, no início do ano, a publicação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Vamos aguardar. É prematuro ainda falar, mas, se nós tivermos reduzido o gasto em educação e melhorado o ensino? É plenamente possível fazer as duas coisas concomitantemente. E esses recursos que foram reduzidos, posso te afirmar que são os recursos que estão indo para as prefeituras que são de direito dos prefeitos, porque o Estado neste ano não pegou um real de linha de crédito, porque não tem banco nenhum que queira emprestar para o Estado. Nós não pegamos recursos com a União. Nós estamos tirando recursos do custeio para pagar as prefeituras, para pagar o 13º do ano passado que não foi pago. Nós reduzimos não foi só saúde e educação, foi segurança, e em todas as secretarias. Vocês viram agora que os elevadores estão desligados. Então, nós estamos fazendo um ajuste em todas as áreas.

Aonde Romeu Zema quer chegar na política? O senhor já tem pensado nisso? Hoje o senhor é a vitrine do Partido Novo e, sendo essa vitrine, já pensou em voos mais altos?

Eu não gosto de fazer planos longos, sendo que há tantos problemas para resolver. Minas está na UTI. Pensa bem: é você estar deitado na UTI pensando em ser atleta olímpico. Você tem que estar pensando em sair da UTI. Estamos pensando em resolver os problemas de Minas, primeiramente. Depois que a gente estiver caminhando, saudável, aí a gente poderá pensar em ser atleta olímpico. Nós temos muito incêndio para apagar.

Atleta olímpico em Brasília, por exemplo? Em Brasília? Por quê? Presidente da República um dia? 

Eu nunca pensei em ser governador. Eu acho que o futuro vai fazendo algumas coisas acontecerem. Então, não tenho essa preocupação. Estou focado, e precisamos ter foco em apagar incêndio. Então, temos muito o que fazer aqui, e o tempo vai dizer, e as coisas vão acontecer. Eu acho que planejar muito adiante enquanto você tem tantas prioridades não é produtivo. 

Fonte: O Tempo

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