Ilê Aiyê homenageia Mãe Hilda em show no YouTube

Quem sente falta da energia que invade a ladeira do Curuzu quando o Ilê Aiyê bota o bloco na rua pôde matar um pouquinho dessa saudade no fim da tarde deste domingo (26). É que o bloco afro fez um show transmitido no YouTube para a Semana da Mãe Preta, comemorada desde 1978 em homenagem a Mãe Hilda Jitolú, sacerdotisa do candomblé e dirigente espiritual do Ilê Aiyê, que morreu há 12 anos.
No chat da live, era fácil reparar os comentários emocionados dos quase mil espectadores acompanhando o show, que iniciou com homenagens a países africanos, passou pelas lutas e resistências negras no Brasil, como as revoltados dos Malês e dos Búzios, fez reverência a Mãe Hilda e as mães pretas e fechou a comemoração com grandes clássicos do Ilê como as músicas Que Bloco é Esse? e Samba Papelô/Lagoa.
O show é uma homenagem antiga do bloco que, com o passar do tempo, se tornou uma referência também a todas as mães pretas, como explica Sandro Teles, produtor do Ilê. “A Semana da Mãe Preta é um evento criado com a intenção de homenagear Mãe Hilda, matriarca do Ilê Aiyê. Só que, com o passar do tempo, do final da década de 80 para frente o Ilê estende essa homenagem também para todas as mães negras, especialmente para as mais velha, senhoras, mães de santo, todas as mães pretas guerreiras e de luta”, conta.
O produtor falou, ainda ,sobre o valor fundamental de Mãe Hilda para a constituição e continuação do bloco, já que ela é considerada alicerce do Ilê. “Mãe Hilda foi a base que fez com que o Ilê surgisse, a ideia partiu dela, que aconselhou os jovens que criaram o bloco. Ela sempre teve uma presença muito forte, conhecida como grande matriarca do Ilê por uma série de ações que ela fez pelo bloco”, ressalta Sandro.
![]() |
| Equipe que produziu show posou para foto na gravação (Foto: Reprodução/João Tatu) |
Antes da pandemia, a Semana da Mãe Preta era acompanhada de uma série de eventos nas escolas do Ilê com palestras, exposições e seminários. Ações que culminavam sempre no ensaio do Ilê, que, neste ano, em virtude, foi única que ação possível de manter em forma do show que foi transmitido e mexeu com o coração de quem é apaixonado pelo bloco.
*Sob supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier
Fonte: Correio


