Notícias

Entrando no mundo Metaverso 

Assim como a internet e a telefonia celular, hoje com 4.5 bilhões de usuários, tornaram-se rapidamente acessíveis à maioria da população global (Brasil, por 170 milhões), permitindo o advento de máquinas de busca como google, e de mídias digitais, como whatsapp, blogs, waze e o pix, a era metaversa penetra na sociedade de forma rápida e silenciosa, construindo espaços da Realidade Virtual (RV) e da Realidade Aumentada (RA) onde viveremos.

Meta, em grego, significa “além” e verso vem de “universo”. O metaverso é uma espécie de universo além do que conhecemos. Grandes novidades sobre mundos digitais aparecem a cada poucos anos. No entanto, há uma enorme empolgação sobre o metaverso entre investidores e grandes empresas de tecnologia focados na Governança Socioeconômica e Ambiental (ESG), fundindo o mundo físico e online, numa realidade paralela com experiências de imersão. Ninguém quer ficar para trás porque há a sensação de que, pela primeira vez, a tecnologia está quase lá.

O metaverso foi usado pela primeira vez no livro “Nevasca” (1992), de Neal Stephenson, para definir um espaço virtual, compartilhado em ambiente 3D, que usa RV e RA para gerar uma sensação de presença. A RV, como o nome sugere, é uma tecnologia que transporta o usuário de forma audível e visual para outro lugar ou tempo, uma poderosa ferramenta comum nos videogames. Hoje, um número crescente de empresas em diversas áreas, especialmente escolas, empresas e museus inovadores, já fazem uso da RV.

Educação   

Na área de educação, alunos foram obrigados a experimentar a escola online em 2020. Professores e administradores escolares lutaram para criar uma versão online de salas de aula funcionais, mudando a dinâmica cultural de ensino e de aprendizagem. O Zoom ajudou a complementar o aprendizado e, agora, o metaverso está sendo apresentado como nova experiência, usando o mundo ‘gamer’ como uma porta de entrada.

O dia escolar típico será dividido em horas de tutoriais ao vivo, realizados na sala de aula metaversa, e outras horas de estudo independente e cursos complementares. Os alunos, orientados pelos professores, poderão escolher seu próprio curso de estudos e selecionar projetos e tarefas agendados como sessões de RV e RA ao vivo, que podem levá-los da astronomia à Roma Antiga, das pirâmides do Egito para aulas de história e entrar na independência da Bahia em 2 de julho de 1823.

Entretenimento, artes e cultura

Uma das plataformas mais populares dos últimos anos, o Timelooper [timelooper.com], usada por museus, é um aplicativo projetado para dar aos indivíduos a capacidade de mergulhar em eventos históricos, experimentando o passado a partir da sua própria perspectiva.

O aplicativo permite que os usuários viagem de volta a momentos da história. Por meio dessa experiência de 360 graus, espectadores podem, por exemplo, passear nas coleções do Museu do Louvre, em Paris, vendo e ouvindo cenas dos artistas de diferentes épocas, por meio do uso da tecnologia de remasterização, que reúne o que foi previamente gravado separadamente, voz, instrumentos e imagens. 

Combinando vários elementos de tecnologia, reunindo robótica e computação quântica em espaços virtuais holográficos, os usuários “vivem” em um universo digital que transformará rapidamente os meios de aprendizagem, a indústria, os transportes, a logística, o turismo, a cultura, as mídias e a forma como vivemos. 

Parte da população mundial que foi forçada a ficar em casa durante a pandemia, provou que é possível trabalhar de qualquer lugar, contribuindo para acelerar investimentos no metaverso, que também inclui a Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT), para replicar a realidade através de dispositivos digitais.

História e Turismo

Em visita a Salvador, a convite do WWI, Stephanie Norby, diretora do Smithsonian Institute [smithsonianchannel.com], maior e mais inovador museu do mundo, sediado em Washington DC – encantada pela aula do saudoso professor Cid Teixeira ensinando que o Forte de São Marcelo foi batizado pelos antigos navegadores como Umbigo da América Latina – Norby afirmou que “a partir do seu umbigo podemos criar todo um imaginário metaverso da Capital da Amazônia Azul”, formada pela Cidade do Salvador e a Baía de Todos os Santos – ainda desconhecida pelo mundo.

O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia [IGHB.org.br], fundado em 1894, por sua vez, reúne destacados pesquisadores e estudiosos nas áreas de geografia, história, sociologia e ciências afins; e é possuidor da maior coleção de jornais datados desde o século XIX até a atualidade, está sendo desafiado para inovar na era metaversa entrando na rede global do Smithsonian, onde fatos históricos locais poderão ser visitados em aplicativos como o Timelooper, mostrando vidas passadas, presentes e futuras.

Indústria 

Formado por comunidades de empresas, uma espécie de simbiose industrial, o Eco-Industrial Park (EIP) do Senai-Cimatec, um dos melhores centros de ensino e pesquisa do Brasil – ainda muito pouco conhecido no país e no mundo –, estimula o “innovation ecosystem”, obtendo vantagens competitivas por meio da troca e compartilhamento de materiais, energia, água e subprodutos críticos para a inovação, com inteligência nova, usando computação quântica e buscando a eficiência de recursos industriais na economia circular. 

Acompanhados pela United Nations Industrial Development Organization (Unido), que coordena os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) para a indústria; e articulados com o Banco Mundial e a alemã Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), os EIPs de todo o mundo ajudam a preencher lacunas, contribuindo para cidades e indústrias inovadoras, inteligentes e metaversas. 

Exibindo novidades, o EIP Cimatec é o único do mundo com uma biodiversa área de preservação de mata nativa e estudos da flora e fauna, de interesse da indústria farmacêutica. Sediando um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em convenio com o Ibama, acessível globalmente em ambiente metaverso, serve de referência para o setor industrial global. 

Com o crescimento da Economia do Mar, que movimenta cerca de 20% do PIB local e global, acessos metaversos a pontos especiais do planeta como a Capital da Amazônia Azul, sede do Cimatec Mar, serão facilitados por empresas como a Starlink [starlink.com], do empresário Elon Musk, que usará satélites não-geoestacionários, de baixa órbita, para oferecer banda larga de alta velocidade e baixo custo.

Comercio e Serviços

Assim como o projeto Aria, do Facebook, que foca nas tecnologias de Realidade Aumentada (RA) e Realidade Virtual (RV) visando comercializações em larga escala, Amazon, Google, Apple e Nike, também trabalham produtos nesse sentido. A Nike comprou a RTFKT, startup com linha de tênis virtuais para o metaverso. A L’Oréal lançou a sua primeira coleção 100% virtual, chamada Signature Faces que permite uso de batons e sombras em videoconferência metaversas.

Como passo seguinte para a transformação digital de consumidores, marcas e tipos de negócios, o e-commerce voltou-se para o metaverso fazendo com que grandes marcas entrassem na corrida de investimentos previstos pela PricewaterhouseCoopers (PwC), de 1,5 trilhão de dólares até 2030.

Nos Estados Unidos, o Small Business Administration (SBA), o Sebrae americano, está orientando as micro e pequenas empresas na entrada no mercado metaverso estimado em US$ 800 bilhões, de 2022 a 2024, pela Bloomberg Intelligence. No Brasil, a Confederação Nacional do Comercio (CNC) articula com as federações formas de apoiar clientes e associados.

Logística e transportes

Mais importante hub atlântico da América Latina, na visão estratégica e no planejamento metaverso das economias eurasianas, os portos profundos e abrigados pela natureza da Baía de Todos os Santos – quando ligados por modal ferroviário – serão opções prioritárias para transportes intermodais de cargas no país.

Fundada pela centenária e natural atração da economia marítima pela sua baía mãe, a Cidade do Salvador sediará, em 2022, evento internacional do World Economic Fórum (WEF) e estará nos canais internacionais metaversos globais como Capital da Amazônia Azul, divulgado para o mundo como sede do maior complexo portuário do Atlântico Sul, que poderá estar sinalizado no Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz – www.marinha.mil.br/sisgaaz-protecao-e-monitoramento-das-aguas-jurisdicionais-brasileiras), da Marinha, como Umbigo da América Latina.

Eduardo Athayde é diretor do WWI no Brasil

Fonte: Correio

Botão Voltar ao topo