Álbum 'Acabou Chorare', dos Novos Baianos, continua moderno aos 50 anos

Lançado há 50 anos, em 1972, pela gravadora Som Livre (que era dirigida por João Araújo, pai de Cazuza) e eleito como o maior disco da história da música brasileira pela revista Rolling Stone que, em 2007, realizou a votação, o disco ‘Acabou Chorare’, segundo lançamento do grupo Novos Baianos, até hoje é cultuado não só pelos fãs mais velhos, como pela nova geração.
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Capa do disco Acabou Chorare (Foto: Divulgação) |
Influenciados por João Gilberto, o grande guru da Bossa Nova, os Novos Baianos fizeram um disco apostando na brasilidade, gravando desde o baiano Assis Valente, com ‘Brasil Pandeiro’, além de um repertório autoral com músicas que se tornariam clássicos a exemplo de ‘Preta Pretinha’, ‘A Menina Dança’, ‘Mistério do Planeta’, entre outras.
Único integrante da chamada linha de frente dos Novos Baianos que mora em Salvador (Baby e Pepeu moram no Rio, Moraes Moreira já nos deixou, e Galvão, o guru do grupo, mora em Juazeiro), Paulinho Boca de Cantor conversou com o Baú do Marrom sobre a importância desse trabalho que trouxe de volta ao show business o grupo, com direito a turnê pelo Brasil, gravação de DVD e a renovação do público.
Jovens que não eram nascidos quando o disco foi lançado ficaram encantados com o trabalho que revolucionou a música popular brasileira, segundo os críticos.
Baú do Marrom: Passados 50 anos do lançamento de Acabou Chorare, considerado pela Rolling Stones como o disco mais importante da MPB, como você o analisa hoje?
Paulinho Boca: Sem querer, nós e a própria imprensa especializada criamos um certo mistério sobre a importância do Acabou Chorare. Além de fazer com que o disco permaneça vivo na cena musical, trouxe para o trabalho do Novos Baianos um frescor e uma visibilidade que permanece em gerações que se seguem. É só conferir o entusiasmo da juventude com a nossa volta em 2016 para fazermos os shows e o DVD ‘Acabou Chorare – Novos Baianos se encontram’. Acho que o fato de ficarmos um tempo sem nos apresentarmos juntos também criou essa expectativa favorável.
Baú do Marrom: Como foi o processo de gravação e a escolha de repertório?
Paulinho Boca: O processo de criação do Acabou Chorare também foi mágico. Nós íamos fazer um disco pela Philips (hoje Universal), mas não aceitamos as condições de contrato e no meio do projeto rompemos – só saiu o compacto ‘Novos Baianos no Final do Juízo’, que tem a primeira gravação de ‘Dê um rolê’. Tivemos que nos mudar do apartamento do Botafogo pro sítio em Jacarepaguá, e assinamos com a Som Livre, ou seja, encontramos novamente com João Araújo (pai do Cazuza), que tinha feito o LP ‘Ferro na Boneca’ na gravadora RGE. E aí tudo mudou. Nos empolgamos e as músicas começaram a sair, uma atrás da outra. O sítio foi importante para o processo de criação coletiva e tivemos tranquilidade e condições de prepararmos o repertório…
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Paulinho Boca de Cantor um dos fundadores do grupo Novos Baianos (Foto: Divulgação) |
Baú do Marrom: Como você explica esse disco continuar tão atual mesmo depois de meio século?
Paulinho Boca: Acho que o fato de termos vivido juntos num coletivo muito louco, que chamou a atenção de várias gerações, e o fato de todo mundo sempre querer saber de tudo que acontecia na nossa vivência juntos, como conseguimos no meio daquela loucura, daquele tempo sombrio da vida brasileira (ditadura militar), criarmos essa história tão bonita e tão singular na MPB. Mas acredito que o que chama a atenção e faz com o trabalho continue atual é: o trabalho mostra a verdade daquele nosso momento. A linguagem filosófica e musical se fez atemporal. E o mais importante quando voltamos a fazer o trabalho juntos em 2016 não soou como revival e sim como se estivesse acontecendo tudo de novo, aqui, agora. Como um tempo que nunca passou.
Fonte: Correio



