Águas de julho abrem o inverno com estragos no litoral de Salvador

A maré do mês de março é conhecida pela sua força. No entanto, essa fama está indo por água abaixo porque as ondas deste início de inverno têm se mostrado mais violentas e causado mais estragos. Na madrugada dessa sexta (7), um buraco se formou na calçada da orla da Ribeira, enquanto casas e estabelecimento foram invadidos pelo mar na Gamboa de Baixo. As ventanias fortes na faixa litorânea, de Salvador até Recife (PE), foram previstas por um aviso meteorológico da Marinha do Brasil, que também alertava para ondas de até 2,5 metros no mar. A previsão se cumpriu e, no bairro da Ribeira, além do buraco, uma das barras de proteção caiu por causa das ondas. Uma fita de isolamento foi colocada no local, mas os pedestres ainda transitavam com o mar alcançando passeio. Moradora do bairro há pouco mais de dois meses, Francina Ferreira contou que tomou um susto quando as ondas começaram a bater na sua casa. “Estava eu e meu esposo no sofá e as ondas começaram a subir e bater bem forte. Depois, a onda foi tão alta que o poste explodiu, ficou tudo no escuro. Toda vez que batia, estremecia lá em casa. Eu e meu esposo ficamos assustados”, relatou. Os outros moradores compartilharam do mesmo temor. Os mais antigos se preveniram e, com a maré subindo pelo passeio, optaram por afastar os móveis para locais mais altos das casas. Um deles, que preferiu não divulgar seu nome, afirmou que aquela era uma situação atípica. “A água normalmente bate e nós vemos, mas, dessa forma que foi, nunca vimos. Nunca bateu tão forte”, garantiu. Na Gamboa de Baixo, o cenário ainda foi mais danoso. A maré bateu em janelas, telhados e alagou as casas dos moradores que vivem mais perto do mar. Nas redes sociais, o perfil do Bar da Mônica, estabelecimento conhecido por sua localização privilegiada à beira-mar e por receber famosos, publicou, nessa sexta (7), um vídeo que mostra as ondas invadindo o espaço onde o bar funciona durante a madrugada. No início da tarde, o CORREIO foi até lá e encontrou o chão ainda molhado e enlameado. Apesar dos impactos, a sensação era de normalidade. O bar não estava funcionando por estar em obras. “Nós já estamos acostumados. O mar cobra o que é dele, nós é que estamos invadindo o espaço. Eu respeito. Sou de axé e mãe Iemanjá dá trégua”, disse Ana Arcela, irmã da proprietária do estabelecimento, que não estava no local. Pescador e morador da Gamboa, Uiliam dos Santos contou que teve sua casa alagada enquanto trabalhava. “Eu cheguei e encontrei a porta aberta, achei que alguém tivesse invadido”, falou. “Minha pitbull foi parar na casa do vizinho. Minha mulher não estava em casa e, quando chegou, ela encontrou a casa molhada e perguntou: ‘meu bem, você lavou a casa?’”, descreveu. Outro pescador da localidade, Francisco dos Reis disse que fica impedido de trabalhar durante o mau tempo. “Está péssimo aqui, as ondas estão acabando com tudo. Não temos nem condições de ir no mar, ficamos impedidos, porque a Marinha coloca alerta para ninguém ir. As ondas batem e molham tudo. Tem porta empinada nas casas, a casa de um colega foi arrombada. Elas batem aqui e vão lá no telhado”, narrou. Dona de uma barraca de praia, Glória Bahia está impedida de trabalhar e só deve voltar em setembro, quando o tempo melhora e os ventos ficam mais calmos. Ela vive na Gamboa de Baixo desde criança e afirma que, normalmente, julho tem o mar mais revolto que março. “Março não teve muita onda. As marés de julho e agosto são as piores”, garantiu. Para os próximos dias, a expectativa é de menos ventania. A Marinha do Brasil atualizou a previsão meteoceanográfica sem alertas de mau tempo para a costa de Salvador. Além disso, os ventos devem ser mais moderados no sábado e domingo, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo
Fonte: Correio




