Covid caminha para fazer parte de calendário anual de vacinação

O secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, anunciou nesta segunda-feira que a vacina contra a Covid-19 vai entrar para o calendário anual de imunização do Estado. A intenção é oficializar isso no dia 17 de janeiro de 2022, exatamente um ano após a primeira aplicação de Coronavac no país.

Em Minas, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informa que aguarda atualizações do Ministério da Saúde sobre uma possível vacinação anual contra a Covid. Mas o Estado se prepara para vacinações futuras com produção local. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) está em fase de negociação com o laboratório norte-americano Covaxx para transferência de tecnologia de um imunizante e é parceira da UFMG na produção da vacina Spintec.

Mas a necessidade da inserção dessa vacina no calendário anual, como acontece com a vacina da gripe, ainda é uma incógnita. Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que, até o momento, não há evidência científica que confirme a necessidade de doses adicionais das vacinas contra a Covid-19. A recomendação é que Estados e municípios sigam o que é orientado pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), de acordo com a pasta. A aquisição de vacina anualmente barra no elevado custo de uma imunização em massa periódica.

Levantamento do cientista de dados Braulio Couto para O TEMPO indica que uma vacinação regular da Covid poderia custar até R$ 15 bilhões anuais aos cofres públicos, tomando como base os contratos feitos em 2021 com os diferentes laboratórios. Dentre as quatro vacinas usadas hoje no país, a Covishield (Fiocruz/AstraZeneca) é a mais barata, com preço de U$ 5 (ou R$ 26), e a aposta nesse imunizante ou em outros de preços mais baixos pode mudar a conta.

Compras preveem doses a mais

Embora não assuma um planejamento para uma vacinação regular da Covid ou aplicação de uma possível terceira dose, o Ministério da Saúde já contratou mais do que o suficiente para imunizar sua população agora. São mais de 642 milhões de vacinas negociadas e 211 milhões de brasileiros – sendo 160 milhões deles maiores de 18 anos. E a Fundação Oswaldo Cruz, que é um instituto federal, já se comprometeu a entregar mais 180 milhões de doses de AstraZeneca no ano que vem.

Ifectologista da Santa Casa de Belo Horizonte, Alexandre Moura afirma que é possível que a população receba doses de reforço da vacina contra a Covid no futuro, mas ainda é cedo para fazer qualquer planejamento sobre o assunto. Até porque algumas vacinas podem precisar de reforço e outras não.

“Ainda é muito preliminar. Não sabemos o comportamento do vírus, nem em termos de variantes, e não sabemos ainda a duração da proteção”, diz o infectologista. “Até onde sabemos, as vacinas dão proteção por vários meses e nos países mais desenvolvidos, doses adicionais ainda não estão sendo indicadas”.

Calendário passa pelo Ministério da Saúde

Pesquisador da Fiocruz, Raphael Guimarães diz que aplicações adicionais de vacinas contra a Covid estão no campo da especulação neste momento. Para ele, o anúncio feito por São Paulo pode ter uma forte intenção política, já que o desenvolvimento de um calendário anual de vacinação teria de passar pelo aval do Ministério da Saúde. “O Estado não pode criar regras próprias, os calendários fogem da esfera estadual”, diz.

Guimarães explica que a Fiocruz planeja a continuidade da produção da vacina em 2022 porque ainda não é possível garantir que toda a população brasileira esteja imunizada com duas doses ainda neste ano. 

Fonte: O Tempo

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