Baiano conduzirá estudo de efetividade da Sputnik no Brasil 

O infectologista baiano Júlio Croda, especialista em Produção e Inovação em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ex-integrante do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis (DEIDT) do Ministério da Saúde, é quem ficará a cargo da avaliação de efetividade das vacinas Sputnik V no Brasil. Esse estudo verá quanto que a vacina protege para desdobramentos do novo coronavírus.  

O primeiro lote da vacina Sputnik V deve desembarcar no Brasil na próxima semana. Das 1,1 milhão de doses que vão chegar em Recife e serão distribuídas para os demais estados do Consórcio Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), 300 mil delas serão para a Bahia.  

O estudo conduzido por Croda utilizará as bases de dados dos 9 estados nordestinos que receberão a vacina. “É um estudo recomendado pela OMS [Organização Mundial da Saúde], no qual vamos fazer um desenho para avaliar a efetividade da vacina. Vamos utilizar o banco de dados secundários que existem nos 9 estados do Consórcio, que notifica os casos leves e, a partir do momento que inicia a aplicação da vacina, a gente acompanha a população como um todo”, esclarece.  

O pesquisador explica que é uma metodologia similar aos estudos realizados em São Paulo, para medir a efetividade da Coronavac e Astrazeneca, em idosos. “Vamos avaliar pessoas que se vacinaram com a Sputnik, que se vacinaram com outras vacinas e que não foram vacinadas, mas que foram testadas com o exame RT-PCR, com quem testou positivo ou negativo. É aí que vamos poder comparar a efetividade da vacina, vendo como ela funciona no mundo real”, completa.  

O objetivo é entender como que a vacina russa se comporta no território brasileiro, já que só foram feitos os estudos clínicos, na Rússia, que apontaram eficácia de 92%. Como esse resultado foi produzido em ambiente controlado, os cientistas vão analisá-la no mundo real, com todas as adversidades e variantes. Dessa forma, o imunizante é colocado à prova com um conjunto diverso de pessoas, em suas mais adversas condições. 

“Não tem outra população que foi avaliada, só a russa. Por isso que a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] solicitou o estudo de efetividade e não de eficácia. A medida que a vacinação for avançando, veremos quem pegou a doença ou não, por meio dos testes de RT-PCR. Não tem número mágico, porque isso vai ser avaliado em vida real, então é necessário que analisemos em condição de transmissão do vírus, com quem tomou e não tomou a vacina”, detalha o pesquisador, integrante do grupo Vebra covid-19, que reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto Global de Saúde de Barcelona.

*Sob orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro  

Fonte: Correio

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