'Nós precisamos superar a crise vivida no Brasil', diz Eduardo Leite

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, quer ser o próximo presidente do Brasil. Para isso, no dia 21 de novembro, ele vai disputar as prévias do seu partido que vão definir o pré-candidato para a eleição presidencial de 2022. Para viabilizar sua candidatura, e ganhar musculatura na corrida pela indicação,  ele tem conversado com lideranças políticas dentro e fora do seu partido, como é o caso de ACM Neto.  No fim de semana, ele esteve na Bahia e conversou com lideranças políticas.

Em entrevista ao colunista Rafael Freitas, da Alô Alô, o  governador  Eduardo Leite (PSDB-RS)  diz que que o foco no processo eleitoral para 2022  precisa ser em cima da discussão do futuro. “Não esperem de mim uma política contra Lula ou Bolsonaro. Se é para ser contra, tem que ser contra a inflação, a pobreza, a miséria”, diz ele. 

Objetivo da vista à Bahia 
“Vim me apresentar para os baianos, mostrar aquilo que fizemos no Rio Grande do Sul, como fizemos e o nosso jeito de fazer política. Nós precisamos superar a crise vivida no Brasil, que enfrenta aumento de desemprego, miséria e desigualdade. A pandemia só atenuou nossos problemas”. 

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Prévias do PSDB para 2022 
“A capacidade política e de gestão de cada um já e testada e conhecida. Não somos apenas eu e Doria disputando. Tem Tasso Jereissati, que no Ceará fez profundas transformações como governador, e o ex-senador Artur Virgílio. A capacidade política e de gestão de cada um já é testada e conhecida. O que o partido precisa discutir é a capacidade eleitoral, que não é apenas do candidato. Precisa ser entendido o contexto eleitoral e o que o cidadão tá procurando para o futuro. Em 2022, não espere de mim se for candidato buscar ganhar ressaltando os defeitos dos outros e sim reforçando as virtudes do nosso projeto. Não vou buscar vencer explorando as falhas e sim o projeto que a gente quer representar” 

Possibilidade do PSDB apoiar outra candidatura 
“O PSDB sempre teve candidato a presidente desde a redemocratização. Quando a gente senta à mesa pedindo apoio, temos a humildade de reconhecer a necessidade de apoiar. É legitimo que cada um busque protagonizar o processo eleitoral. Tudo indica que o PSDB deva ser protagonista, mas se houver reconhecidamente outra candidatura que consiga, é plausível. Estamos falando de atender o propósito para o país. Eu tive boas conversas com outros partidos e me sinto em condições de promover esse entendimento numa eventual candidatura minha”. 

O que ele pensa sobre o fundo eleitoral 
“A democracia pressupõe um custo para a realização das eleições eleitorais. A existência do fundo por si sô não é um problema na medida em que as campanhas precisam ser financiadas. O erro é a situação que o país vivencia. Nega-se dinheiro para financiar projetos de conectividade para crianças em situação de vulnerabilidade e pede que aumente o fundo eleitoral. No momento de inflação, aumento da crise, haver esse aumento é um erro”. 

Relação com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto  
“Tenho uma proximidade com ele, que é uma referência com sua capacidade política aliada a técnica de gestão. Sua eleição se deu com expressão de votos. Ele tem boa intenção de votos nas pesquisas para o governo do estado. Isso é comprovação da sua capacidade. Sem dúvidas nenhuma, o PSDB tem toda disposição de ajudar ACM Neto nesse processo para a Bahia. No plano nacional, precisamos conversar com o centro democrático com as candidaturas que vão se apresentando. Mandetta (DEM) é um bom nome e está na mesma vibe que eu. Mas antes de nos colocarmos, tem um projeto de pais que precisa ser discutido. Ciro gomes tem a intenção de voto que ele tem em todas as eleições, em torno dos 10%. O desafio é superar isso. A gente precisa ter humildade para reconhecer que outra candidatura terá capacidade de superar essa polarização. É o momento se conversar, se aproximar. A conversa com Neto foi boa, longa, mas nada se define nesse momento”.

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Pontuação nas pesquisas eleitorais  
“As pesquisas demonstram para além da intenção de votos. Eu tenho duas eleições, claro que numa outra realidade e situação, mas nelas eu fui candidato a prefeito e governador com pouca intenção de votos e rapidamente crescemos na campanha e vencemos. As pesquisas dizem menos do que as pessoas querem e mais do que elas não querem. É importante olhar a rejeição nesse momento. A rejeição a Lula e Bolsonaro é grande. Para vencer a eleição e cumprir nosso propósito, o foco é o futuro. Não espere de mim uma política contra Lula ou Bolsonaro. Se é pra ser contra, tem que ser contra a inflação, a pobreza, a miséria. Temos que fazer uma política contra os problemas. A preocupação agora da população não ê a eleição e sim a vacina, se vai conseguir botar comida na mesa. Lula e o PT frustraram as expectativas com escândalos de corrupção e Bolsonaro também. Mas é próprio do povo brasileiro a esperança e capacidade de superação. Isso precisa reascender e eu posso colaborar, talvez por ser o mais jovem governador do Brasil. A gente precisa fechar esse capitulo de divisão entre as pessoas, o ‘nós contra eles’”. 

Sem temor em perder votos por causa da orientação sexual 
“Eu falei sobre a minha orientação sexual para que eu me apresentasse por inteiro à população, pois falta integridade na política nacional. Integridade significa ser por inteiro e não pela metade. Eu nunca menti, nunca tentei fazer com que as pessoas acreditassem que eu não fosse gay. Eu simplesmente não falava a respeito, pois isso é uma coisa que toca na minha vida e não na vida dos outros, como deve ser um não assunto para o futuro. Eu espero que o Brasil chegue ao ponto de não se importar com a cor, a crença religiosa, o gênero, com a orientação sexual. Nada disso deve ser assunto, pois a gente tem que se debruçar sobre a idoneidade, a capacidade, o caráter, esses são os pontos. Mas nessa política que a gente vive hoje, em que os políticos infelizmente têm algo a esconder, escondem mensalão, petrolão, rachadinha, superfaturamento de vacina, eu não aceitaria que tentassem fazer crer que eu tenho algo a esconder, especialmente quando esse algo não tem nada de errado, que é a minha orientação sexual. Então, fiz questão de começar essa trajetória em nível nacional me apresentando por inteiro para que as pessoas saibam quem é Eduardo Leite na inteireza. Cada um faz o juízo que quiser. Eu vou lutar para que as pessoas entendam que isso não é um problema, minha luta na política é pela igualdade. Não é uma pauta LGBT, é uma pauta de respeito as pessoas” 

Voto em Bolsonaro em 2018 
“Em 2018, meu candidato era Geraldo Alckmin. No segundo turno tínhamos o PT de um lado, com graves escândalos de corrupção comprovados e um modelo econômico adotado que quebrou o país. (…) Bolsonaro, apesar das suas lamentáveis manifestações, que acreditava que seriam barradas pelas nossas instituições, havia um modelo econômico proposto por Paulo Guedes que me parecia melhor do que a alternativa do PT. Por isso a escolha do voto em Bolsonaro. Não foi apoio. Apoiar é pedir votos, fazer campanha. Isso eu nunca fiz, o que quase me custou a eleição em 2018”.  

Fonte: Correio

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